O segundo dia da Mostra Competitiva do 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro inicia-se, às 21h, com duplas de diretores estreantes e experientes. Após parcerias em seis curtas, os diretores Claudio Marques e Marília Hughes estreiam o primeiro longa.
Com ar nostálgico, a película baiana Depois da Chuva revive a década de 1980, cheia de extremos, em meio a sensação de liberdade misturada aos hábitos da Ditadura Militar.
Nesse contexto, o adolescente Caio (Pedro Maia), de 16 anos, está imerso em um período repleto de dúvidas. Influenciado pela fase política do País, ele percebe que está presenciando um momento único em sua juventude.
“Ele traz essa atmosfera, essas tensões, embora nunca de forma explícita. Isso tudo está na fala, no corpo e ações dos nossos personagens, sobretudo do nosso protagonista”, define o diretor Claudio Marques sobre o tom do longa.
“O filme respeita o ritmo dos acontecimentos naquele momento. Havia um sentimento muito grande de potência, no início. Parecia ser realmente possível mudar as coisas”, destaca.
Da vida
A ideia de fazê-lo nasceu de uma inspiração autobiográfica de Claudio. “Vivi aquele momento e me inspirei em minhas histórias e vivências para dar início ao projeto”, comenta o diretor.
E o interesse pela época foi compartilhado com a codiretora “Aliás, foi conversando com Marília (Hughes), que é mais nova que eu, sobre os acontecimentos de 1984, que compreendemos juntos que ali estava o nosso primeiro longa-metragem. Marília foi a primeira a entender isso”, conta.
Produção brasiliense independente
Representando Brasília na categoria de Curta de Animação, está RYB, de Deco Filho e Felipe Benévolo. O filme se passa em um laboratório, onde um experimento dá errado e o local é invadido por clones. O trabalho é resultado do projeto final do curso Animus, da Ozi Escola de Audiovisual. A produção foi feita em software 3D, que foge dos padrões convencionais de desenhos animados feitos em 2D.
“Confesso que é difícil e interessante concorrer com filmes que tiveram milhares de reais de investimento enquanto produzimos o RYB simplesmente na vontade do projeto acontecer”, diz o diretor Deco Filho.
Nordeste
Pernambuco reafirma sua força com o documentário O Mestre e o Divino, de Tiago Campos, que revela os bastidores peculiares da catequização indígena no Brasil. Também serão exibidos o curta cearense Lição de Esqui, de Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro; e O Canto da Lona, de Thiago Brandimarte Mendonça.
PROGRAMAÇÃO
Hoje
14h30 – Mostra Brasília
19h – Mostra Competitiva – Documentário:
O Canto da Lona, de Thiago Brandimarte Mendonça
O Mestre e o Divino, de Tiago Campos
21h – Mostra Competitiva – Ficção
RYB, de Deco Filho e Felipe Benévolo
Lição de Esqui, de Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro
Depois da Chuva, de Cláudio Marques e Marília Hughes
SERVIÇO
46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro –
Até dia 24, a partir das 14h30. No Cine Brasília (106/107 Sul).
Ingressos a R$ 6. Valor referente à meia-entrada.
Informações: 3244-1660.
A classificação indicativa varia de acordo com o filme.