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Israel: Conflito é mostrado, mas sem julgamento

Arquivo Geral

03/04/2014 8h00

Inácio Araujo

*Especial para o Jornal de Brasília

Belém – Zona de Conflito apresenta-se, primeiro, como um “thriller” de espionagem. Razi é o agente do serviço secreto israelense que, para controlar movimentos palestinos radicais, serve-se de um jovem informante, Sanfur. Os motivos que levam Sanfur a colaborar permanecem um tanto obscuros. O certo, porém, é que Razi tem o rapaz como filho e espera que o inverso seja verdadeiro. 

Ocorre que Sanfur é irmão de Ibrahim, líder da Brigada dos Mártires de Al Aqsa, que prepara atentados contra Israel, de onde decorrerá uma série de outras questões. 

Elas podem ser políticas (Sanfur é pressionado a lutar pela libertação da Palestina), familiares (o pai o despreza, talvez por conhecer suas ligações com Israel) ou mesmo psicológicas (a necessidade de vingar pessoas próximas mortas por israelenses). 

Há dois pontos de interesse fundamentais. O primeiro, exterior ao material filmado (mas não ao filme), é o fato de o diretor, Yuval Adler, ter sido efetivamente membro do serviço secreto de Israel.

Geografia

No mais, o corroteirista é um jornalista muçulmano especializado em questões palestinas. Tudo isso confere credibilidade ao menos inicial à narrativa.

A questão geográfica é a que mais impregna a matéria do filme. A cidade de Belém, na Palestina, fica a uma pernada de Israel. Eis a questão central: o ponto em que o filme, de maneira sutil, acaba por encontrar os novos historiadores israelenses (que, via de regra, vivem meio que refugiados na Inglaterra). 

Ou seja, “Belém” acaba por questionar a ideia de ocupação da Palestina por Israel mais pela proximidade entre os dois territórios do que por qualquer outro motivo (não que não existam ou sejam omitidos).

Situação insustentável

A julgar pelo filme, vemos que não resta opção de resistência aos palestinos que não sejam os atentados a Israel. E a Israel não resta senão defender-se dos atentados. 

O filme não faz comentários a respeito: limita-se a mostrar a existência dos dois lados e as opções que lhes são dadas. Não é pouca coisa. Esse silêncio é a maior virtude. 

O que virá não é problema do filme, claro. Sua virtude, apesar de alguma inconsistência, é expor a situação a longo prazo insustentável.

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