Para além do palco tradicional, vários atores, músicos, diretores, cineastas e artistas, em geral, têm em comum a busca pela liberdade de expressão e pela democratização do acesso, ao saírem às ruas para mostrar seu trabalho pelas ruas da cidade.
Apresentações em lugares como praças, metrôs, ônibus, parques, pontos turísticos e rodoviárias tornam-se ponto de encontro daqueles que ousam sair do convencional tablado.
“O artista pode chegar ao público sem que esse tenha que desviar-se de seu cotidiano, sendo surpreendido e cativado pela experiência”, opina RC Ballerini, idealizador do projeto Metrô Instrumental.
Hoje, às 18h, na estação Galeria do Plano Piloto, o músico brasiliense Felipe Vieira apresenta seu primeiro CD, Candango, uma mistura de jazz, MPB e pop rock instrumental. O saxofonista toca ao lado de Eudes Carvalho, na guitarra; Paula Zimbres, no contrabaixo; e Thiago Cunha, na bateria.
Acostumado a tocar em espaços diferentes, o músico aprova a iniciativa. “Em Brasília, tudo ainda é muito quadrado. Faltam iniciativas para explorar espaços que falam”, explica.
Experimental
Há dez anos, o ator, produtor e diretor goiano Francis Wilker de Carvalho inova a linguagem teatral com o grupo brasiliense Teatro do Concreto. A companhia é conhecida por trabalhar com o experimental e ousar em apresentações marcantes em espaços inusitados.
A Rodoviária do Plano Piloto, faixas de pedestres, praças e ônibus são alguns dos locais em que o grupo já atuou.
Segundo Francis, essa migração da arte para fora das galerias ganhou força na década de 1960. “Mas a proposta continua, com nova dimensão e articulação com outras poéticas. Descobrir novos espaços possibilita ao espectador lançar outros olhares para sua cidade”, garante o diretor.
Fluxo musical
Em sua primeira edição, o projeto Metrô Instrumental movimenta Brasília com um belo apanhado da música instrumental autoral nas estações do metrô, local de tráfego diário de grande parte população do Distrito Federal. Ao todo, 20 músicos locais devem se apresentar até o dia 27 de junho, nas estações Galeria (entre a 102 Sul e a Rodoviária), Praça do Relógio (Taguatinga Centro), Estação Central (Rodoviária do Plano Piloto) e Ceilândia Centro. A estreia ficou a cargo da banda Passo Largo (foto), que abriu a programação do evento no último dia 12 em Taguatinga.
Teatro em contato com a natureza
Outro projeto que foge do convencional, o Teatro nos Parques também traz sua primeira edição à capital, com dez apresentações de cinco espetáculos lúdicos, ao ar livre. Todos gratuitos. Em cartaz até 1º de junho, o evento contempla parques de fácil acesso à população, como o Parque dos Jequitibás (Sobradinho), Parque Olhos D’Água (413/414 Norte) e Parque da Cidade (Asa Sul).
Produtor cultural, o paulista Marcelo Manzatti é o responsável pela participação do grupo brasiliense Mamulengo Presepada no projeto. A apresentação acontece neste domingo, às 11h e às 16h, no Parque dos Jequitibás (Sobradinho).
Para a criançada
Com o espetáculo O Romance do Vaqueiro Benedito, ele e o diretor Chico Simões prometem encantar as crianças presentes no local aberto. “A principal característica do nosso grupo é ser mamulengo, ou seja, ir para as ruas, mostrar arte em locais de livre acesso. Nesses espaços fazemos apresentações sem grande estrutura, cenários e luzes. E quando não temos verbas, usamos o tradicional “passa o chapéu”, diz Manzatti.
Serviço:
Metrô Intrumental
Quarta-feira – Estação Galeria (Plano Piloto), com Felipe Vieira & Quarteto, às 18h. Entrada franca. Classificação livre.
Sexta-feira – Estação Galeria (Plano Piloto), com Protofonia, às 18h30.
Teatro nos Parques
Sábado, às 11h e às 16h, no Parque Olhos D’Água (413/414 Asa Norte). Apresentação do espetáculo Cantos de Encontro, da companhia Os Buriti Teatro de Dança (DF). Entrada franca. Informações: 3349-5793. Classificação livre.
Domingo, às 11h e às 16h, no Parque dos Jequitibás (Quadra 10/11, Av. do Contorno – Sobradinho). Apresentação da peça O Romance do Vaqueiro Benedito, do grupo Mamulengo Presepada (DF). Entrada franca. Informações: 3591-4049. Classificação livre.