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Instituto Cervantes apresenta La maleta mexicana

Arquivo Geral

15/07/2013 17h08

La maleta mexicana (2011) dá sequência à mostra de cinema Territórios do documentário espanhol, nesta sexta (19), no Instituto Cervantes Brasília. Documentário inédito que segue o rastro de uma valise, recuperada recentemente, com negativos de diversas fotografias feitas por Robert Capa e Gerda Taro, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

 

Na estreia (12), o público conferiu Hollywood Talkies (2011) – obra que resgata a história dos profissionais do cinema que viajaram para Hollywood na alvorada do cinema sonoro para trabalhar nas versões duplas com as quais a indústria americana pretendia continuar a controlar os mercados que temia perder.

 

Flamenco de raíz (2011), é a película do dia 26,  um documentário dedicado à música e à dança flamenca, considerado um subgênero no documentário musical espanhol. O foco no genuíno da dança e do canto é captado por meio de um olhar atento à riqueza e vitalidade que o flamenco continua tendo como manifestação cultural eminentemente espanhola.

 

No encerramento, dia 02 de agosto, o El somni (2008) que representa um documentário de caráter intimista e de resgate da memória. O diretor Christophe Farnarier apresenta uma interessante abordagem à história de um pastor que ainda percorre os campos com as suas cabras, um trabalho milenar, e que reflete sobre nosso tempo e sobre o possível futuro da nossa cultura, a partir de um ponto de vista certamente isolado.

 

Cinema documental na Espanha

 

Na década de noventa, vários diretores espanhóis elaboraram diversas propostas para resgatar a produção de documentários como forma de expressão natural do cinema espanhol. Impulsionada por diretores do porte de Basilio Martín Patino e Joaquim Jordá, a possibilidade retórica de abordar temas sociais, históricos ou políticos a partir das convenções da “não ficção” começou a mostrar o potencial de um cinema que buscava recapturar o espírito artístico de referenciais como Victor Erice.

 

Nessa transformação, a obra de José Luis Guerín se apresentará como emblemática e será o resultado de um enorme esforço para legitimar outras formas de se abordar as narrativas sobre a realidade. Seu filme En construcción(2000) conseguirá chegar a todos os públicos, um documentário sobre a reurbanização do bairro de Raval, em Barcelona. Seu trabalho docente universitário abrirá caminho para outros cineastas, como Mercedes Álvarez ou Isaki Lacuesta, dois novos documentaristas que assumiram o gênero como lócus de criação fazendo uso dos seus recursos de maneira muito diferente.

 

O ensino formal de produção e criação de documentários fala, na verdade, do auge atingido nos últimos anos pelo gênero, como uma especificidade na forma de produzir relatos. Também contribuíram para isso a facilidade de acesso a câmeras leves, a qualidade visual das gravações feitas com celulares ou a velocidade em que se distribui o conteúdo através da internet e das redes sociais, fazendo com que a realidade seja compartilhada de forma complexa. Nesse sentido, o trabalho feito sobre materiais de arquivo, sobre fundos audiovisuais antigos e canônicos ou sobre filmes familiares já se tornou um ponto de partida habitual para a criação. Os filmes found footage, feitos a partir de montagens, passaram a representar uma nova forma de lidar com a reelaboração de relatos que se pretendem ensaísticos, informativos ou apenas documentários.

 

Nesse âmbito, e como elemento contemporâneo, destacam-se as produções que buscam refletir sobre a possível narração do eu como sujeito histórico e também individual. A facilidade do acesso à gravação digital permitiu inaugurar toda uma tendência em que as histórias de família ou os relatos intimistas se apossam de um espaço onde a sua proximidade reside na capacidade de a mídia se aproximar de um narrador que, por outro lado, também se desfez em pedaços diante da impossibilidade de organizar retratos inequivocamente consolidados.

 

Contudo, o gênero documentário é tão antigo quanto o próprio cinema. As primeiras paisagens captadas pelos pioneiros, os mensageiros dos Lumière e de Edison, pioneiros como Edwin Rousby… todos eles tentaram imprimir às suas tomadas o imediatismo dos mundos com que se deparavam nas suas viagens e dar seu testemunho de novas realidades. De alguma forma, a expressão por meio do documentário permanece fiel a essa necessidade de se encontrar com o imediato, de dar conta do que é relevante e digno de ser levado em conta, quer cultural, histórica ou socialmente. Assim, o documentário continua sendo preciso ao aproximar os elementos mais etno-culturais que compõem nossas sociedades. E também se constituiu como elemento fundamental para dar roupagem à história oral e constituir relatos que reforçam a memória necessária para construir as tradições que compõem nossa identidade.

 

Na Espanha, sem dúvida, todas essas vertentes receberam atenção. O documentário tornou-se um dos fóruns mais sugestivos e criativos da produção audiovisual contemporânea. Continua sendo, desde a década de noventa, uma das vertentes mais criativas e pujantes da cinematografia espanhola. Seu compromisso com a criação e a utilização de novas linguagens discursivas, muitas vezes próprias do cinema experimental mas também da mídia informativa, faz dos seus filmes um verdadeiro catálogo da atualidade, visto a partir de um olhar absolutamente íntimo, com personagens que formam de outra maneira o espaço público.

 

 Programação

 

·         Dia 12/07, às 19h, entrada franca

 

 Hollywood Talkies…………………………………………………………………….

 

Espanha, 2011. Documentário. 61 minutos

 

 Produtor: Eddie Saeta S. A. e Getsemani

 

Direção e roteiro: Óscar Pérez e Mia de Ribot

 

Fotografia: Mia de Ribot

 

Música: Taku Sugimoto

 

Sinopse: Com o advento do cinema falado em 1927, um grupo de jovens atores espanhóis parte rumo à América para trabalhar nas versões em espanhol das grandes produções, sonhando com o estrelato. Com o surgimento da dublagem, a solução encontrada para chegar a todos os mercados tornou-se muito cara e a maioria deles caiu no esquecimento, com a exceção de artistas como Edgar Neville, Enrique Jardiel Poncela ou Imperio Argentina, que retornaram para a Espanha. Este documentário, apresentado no Festival de Veneza, resgata sua memória.

 

Indicação etária: Indicado para todas as idades

 

Formato e legendas: DVD (português) 

 

 

 

·         19/07, às 19h, entrada franca

 

 La maleta mexicana…………………………………………………………..……

 

Espanha/México/Estados Unidos, 2011. Documentário. 89 minutos

 

 Produtor: 212 Berlin, Mallerich Films e TVE

 

Direção e roteiro: Trisha Ziff

 

Fotografia: Claudio Rocha

 

Música: Michael Nyman e Gerard Pastor

 

Sinopse: Este documentário conta a história dos 4500 negativos feitos pelos renomados fotógrafos Robert Capa, Gerda Taro e David Chim Seymour durante a Guerra Civil Espanhola, que desapareceram e foram recuperados setenta anos depois, na Cidade do México. Descobre, ainda, o papel desempenhado pelo México durante a Guerra Civil e o seu apoio à República no exílio, e revela a maneira como a Espanha enfrenta o seu próprio passado, trinta anos após a Transição.

 

Indicação etária: Indicado para todas as idades

 

Formato e legendas: DVD (português)

 

 

 

·         26/07, às 19h, entrada franca

 

 Flamenco de raíz…………………………………………………………..……

 

Espanha, 2011. Documentário. 85 minutos

 

 Produtor: Tiempos Difíciles Films

 

Direção e roteiro: Vicente Pérez Herrero 

 

Fotografia: Vicente Pérez Herrero 

 

Música: Juan Parrilla

 

Intérpretes: Álvarez El Canijo, Olga Pericet, María Juncal, Candy Román, Concha Jareño, José Luis Montón, Talegón de Córdoba, Antonio Moya, Marco Flores, Carmela Greco, Ramón Soler Díaz, José Luis Rodríguez, Antonia Jiménez, Juan Parrilla, Pakete, Rafael Riqueni e José Luis Montón

 

Sinopse: Um documentário sobre as raízes antropológicas do flamenco. Um olhar sobre o sentir e o ser flamenco em todas as suas manifestações, tanto pessoais como profissionais, tanto do flamenco que agita a indústria cultural como do feito no ambiente familiar. Um documentário sobre o flamenco que surge nas ruas e nas festas particulares. Uma aproximação ao flamenco dos que vivem do seu canto e dos que cantam para vivenciá-lo, dos bailaores e dos que o dançam, dos músicos e dos que o musicam dia após dia.

 

Indicação etária: Indicado para todas as idades

 

Formato e legendas: DVD (português)

 

  

 

·         02/08, às 19h, entrada franca

 

 El somni………………………………………………………………………..……

 

Espanha, 2008. Documentário. 77 minutos

 

 Produtor: Eddie Saeta S. A. e Zip Visión

 

Direção: Christophe Farnarier

 

Roteiro: Christophe Farnarier e Roger Biosca

 

Fotografia: Christophe Farnarier

 

Música: Vários

 

Sinopse: Desde a alvorada dos tempos, um homem caminha tocando o seu rebanho ao ritmo das estações. O pastor nômade pertence ao nosso imaginário coletivo. Joan Pipa é um dos últimos representantes de uma tradição milenar. Nós o acompanhamos na sua última viagem conduzindo o seu rebanho em direção aos Pirineus da Catalunha. Dia após dia, compartilhamos com ele sua intimidade, descobrimos o passado e o presente de um homem que ama o seu ofício e que respira a alegria de conviver livremente com a natureza. Mas o abandono da terra, a industrialização e o crescimento desenfreados, a febre da urbanização, a multiplicação de novas infraestruturas e, agora, as mudança climáticas vão pondo fim a esse sonho e nos levando em direção a um futuro incerto. O desaparecimento da transumância é um sinal de progresso ou a morte da nossa civilização?

 

Indicação etária: Indicado para todas as idades

 

Formato e legendas: DVD (português)

 

Serviço:

 

Territórios do documentário espanhol

Dias: 12, 19, 26/07 e 02/08

Horário: às 19h

Local: Salão de Artes do Instituto Cervantes 

CI : Livre

Entrada Franca

Informações: 3242-0603 

Site: http://brasilia.cervantes.es

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