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Viva

Inesquecível sátira em DVD

Arquivo Geral

01/02/2014 8h38

A miséria de um povo que não perdia a esperança em dias melhores, uma tremenda instabilidade financeira, moeda desvalorizada que troca de nome do dia para a noite, mudanças constantes de planos econômicos, congelamentos de preços, altos impostos e corrupção de poderosos. Qualquer semelhança não era mera coincidência. O fictício reino de Avilan era uma clara paródia do Brasil. Que Rei Sou Eu?, de 1989, inovou ao fazer graça da situação política do País e transformou a obra do genial Cassiano Gabus Mendes em uma das mais lembradas e queridas novelas já feitas por aqui.

Exatos 25 anos depois, após ser reprisada no Viva entre 2012 e 2013, a trama é lançada agora em DVD, com 13 discos e material extra. Como bem diz o diretor Jorge Fernando, alguns aspectos podem ter mudado, mas a essência crítica da trama de Gabus Mendes, considerada pelos fãs a obra prima do autor, nunca esteve tão viva.

Golpe

A armada coroação do mendigo Pichot (Tato Gabus Mendes) planejada pelo astuto Ravengard, vivido por Antônio Abujamra numa atuação que marcou a carreira do ator na telinha, fez com que o revolucionário Jean Pierre (Edson Celulari) guiasse o povo descontente numa incansável luta pela justiça. Sorte do mocinho, a guilhotina sempre falhava na hora de decapitar os rebeldes. O reino europeu fictício, ambientado no ano de 1786, refletia a situação de um Brasil que estava prestes a eleger o novo presidente da República, e pôr fim a um jejum de quase três décadas.

Muitos foram os destaques do reino de Avilan, construído numa cidade cenográfica de 2,2 mil metros quadrados, em Jacarepaguá, fazendo da novela a primeira a ser gravada no Projac. Desde os conselheiros do reino de Avilan, numa mordaz crítica ao Congresso Federal, até a cenografia kitsch que dava um ar teatral à novela, todos os elementos do folhetim fazem valer a pena acompanhá-la.

Trama do folhetim

Edson Celulari é o mocinho Jean Pierre, filho bastardo e único herdeiro do rei Petrus II (Gianfrancesco Guarnieri). Após a morte do rei, ele não se conforma ao ver a coroa sendo entregue de maneira desonesta ao mendigo Pichot (Tato Gabus Mendes), jogada orquestrada por Ravengard (Antonio Abujamra), o bruxo local. Íntegro e corajoso, Jean Pierre começa uma revolução para a derrocada da realeza. Em meio à luta por seus ideais, o protagonista  divide seu coração entre a revolucionária Aline (Giulia Gam) e a nobre Suzanne (Natália do Vale).

Elenco afiado foi apenas um dos destaques
Com sacadas rápidas e ótima direção, o elenco de estrelas, como Gianfrancesco Guarnieri, Giulia Gam, Natália do Vale, Aracy Balabanian, Eva Wilma, Jorge Dória, Stênio Garcia, Claudia Abreu,  Marieta Severo, Dercy Gonçalves e muitos outros, nos entregam atuações afiadas. 
Como esquecer as gargalhadas agudas da malvada Rainha Valentine, vivida por uma sensasional Tereza Rachel? Deixando os questionamentos políticos de lado, a novela será sempre lembrada e elogiada pela originalidade.
Sucesso
A música-tema de abertura, Rap do Rei, foi escrita por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, então vice-presidente de operações da Rede Globo. A canção foi gravada pela banda Luni, cuja vocalista era a atriz Marisa Orth, ainda desconhecida do grande público.
Com o suceso da produção, a novela foi reprisada na Sessão Aventura, às 17h, um mês após o final de sua exibição.
 
Três perguntas para o diretor Jorge Fernando

Como foi dirigir Que Rei Sou Eu?
Foi uma epopeia, já que na época nós não éramos diretores, e sim desbravadores. Era quase impossível montar uma novela daquele porte e com aquelas roupas. Eu devo muito ao figurinista, ao cenógrafo. Eles criaram painéis que serviram para todos os quartos. Todo o estúdio era a sala do palácio. E as externas eram no Projac. Só tinha um ponto de apoio para a equipe. Foi uma experiência muito doida, uma época que a gente fazia 30, 40 cenas por dia.
Como era a repercussão em 1989?
Foi engraçado porque os 20, 30 primeiros capítulos foram um sucesso morno. Calhou de, em um feriado, ter uma cena que os cavalos usavam adesivo, o que dialogou com algo que acontecia na época nos pedágios brasileiros, de ter que colocar adesivos nos carros. Quando o público percebeu que a gente estava mexendo com o cotidiano nos anos 1800 e pouco, a novela estourou. Foi quando todo mundo pensou que aquilo era um grande deboche. Ela se transformou na novela de critica mais ácida que já assisti. Era bem ao estilo de O Pasquim.
Você acha importante que o público mais jovem tenha acesso à novela e suas críticas políticas?
O público jovem, que está muito ligado na internet, tinha que saber esse histórico. Para eles, tudo veio mastigado. Sou grato a tudo que vi e a cada realizador que me mostrou um trabalho. Aquilo contribuiu para minha vida e acho que a gente é o que lê, vê e escuta. Acredito que essa garotada está se fechando para saber o que aconteceu até eles chegarem. Eles ficam muito limitados ao mundo virtual, mas esquecem que existiu uma evolução de anos.
 
Serviço
Que Rei Sou Eu?
Direção:  Jorge Fernando
Elenco:  Edson Celurari, Giulia Gam, Natália do Vale, Cláudia Abreu, Tereza Rachel, Daniel Filho, Marieta Severo, Antônio Abujamra, Stênio Garcia, Aracy Balabanian…
Distribuidora:  Som Livre
Preço médio:  R$ 189,90

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