A Gaiola Dourada é uma deliciosa coprodução França/Portugal que aposta no humor simples para falar de questões como família, segredos e ganância. Com um elenco muito bem dirigido por Ruben Alves, o longa-metragem apresenta um casal de portugueses que mora há muitos anos na França.

Responsáveis e dedicados, eles são queridos pelos patrões, embora não sejam valorizados como merecem. A chance de mudar de vida surge com uma boa herança. Mas, para recebê-la, os dois precisam voltar a morar em Portugal. E essa notícia cai como uma bomba para outros parentes e para pessoas da esfera profissional, que não querem que eles deixem o país.
O roteiro é recheado de situações do cotidiano e com subtramas de outros personagens, que chamam a atenção por serem bem humanos. E é nessa sutileza dos dilemas da vida real que o filme encontra sua graça. Sucesso em Portugal, o título toca em delicados temas, como a imigração e o preconceito sofrido por quem viaja em busca de melhores condições. No elenco, grandes atuações dos protagonistas vividos por Rita Blanco e Joaquim de Almeida.
3 perguntas para o diretor Ruben Alves
Por que você acha que o filme deu tão certo em Portugal?
Acho que é porque nunca houve um filme sobre a imigração portuguesa antes e nesse momento caiu bem porque os portugueses precisam de estima. O filme fala sobre a lealdade do povo e a dedicação do trabalho, que é motivo de orgulho. Além disso, é uma história de amor. Uma comédia leve e que faz pensar. Em Portugal, o cinema é pesado e intelectual, então falta algo mais leve. Na França também deu certo e soube que até quem não costumava ir ao cinema frequentou para assistir ao filme.
Você acredita que os brasileiros vão se identificar com a história?
Sim, porque é um filme para todo mundo. Somos todos iguais, e o brasileiro gosta de comédia que faça pensar e se motivar.
E existe uma temática bem familiar na história…
Sim, o filme mostra as raízes e origens das pessoas. Os brasileiros podem se identificar com o sentimento de família e o costume de comer junto na mesa. O roteiro simples mostra como a globalização deixa as pessoas egoístas e independentes.