João Rodrigues
*Especial para o Jornal de Brasília
Na próxima quinta-feira, estreia nos cinemas o filme X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, baseado em um arco das histórias em quadrinhos no começo da década de 1980. O longa se passa em um futuro alternativo no qual os mutantes estão presos em um campo de concentração e viajam no tempo para pedir ajuda aos X-Men do presente.
Os X-Men foram criados por Stan Lee e Steve Dickto, em 1963. A história fala de um grupo de pessoas que nasceu com poderes especiais. Eles são excluídos pelo resto da humanidade, que os teme. Ainda assim, eles juram defende-la e também outros seres iguais a eles chamados de mutantes. Na época, os Estados Unidos estavam envolvidos com temas sociais, como a luta dos negros por mais direitos no país.
Além de X-Men, outras séries de quadrinhos tratam, de uma forma ou de outra, do tema do preconceito e da exclusão de quem é diferente.
Criado no ano anterior pela mesma dupla, Peter Parker, antes de se tornar o herói conhecido como Homem-Aranha, era impopular no colégio e um excluído das rodas sociais por ser alguém mais vidrado em livros e ciências do que em esportes e garotas, ao contrário dos demais rapazes de sua idade.
No Brasil
Por aqui, as HQs (histórias em quadrinhos) brasileiras tratam o bullying de uma maneira mais leve nas historinhas da Turma da Mônica. A líder da turminha sempre foi chamada de “baixinha”, “dentuça” e “gorducha” pelos amigos.
Espaço para as minorias
Além de falar sobre preconceito nos quadrinhos, as editoras de super-heróis procuram criar personagens que representem as minorias. Embora tenha ganhado popularidade no desenho da Liga da Justiça, John Stewart já era um representante negro na tropa dos lanternas verdes desde 1971.
Em 2006, a editora americana DC Comics trouxe uma nova personagem para assumir o manto da Batwoman: Kate Kane. A nova mulher a se vestir de morcego é lésbica e teve um romance com uma policial de Gotham City.
O JBr. procurou ouvir a opinião de leitores de HQs sobre a tentativa de combate ao preconceito realizada pelos quadrinhos. No caso do publicitário Daniel Toscano, que acompanha os X-Men desde os sete anos, as HQs apenas complementaram o aprendizado que recebeu da família.
Ele reconhece que os quadrinhos foram importantes para mostrar que há várias formas de exclusão e que devem ser combatidas. E defende que elas continuem agindo assim: “Eu acho que é uma forma de formar o senso crítico das crianças que leem. Instruí-las e instigar e instigar debates aos adultos”.
identificação
O jornalista especializado em quadrinhos Sidney Gusman conhece fãs dos X-Men que se identificavam com os heróis por se sentirem excluídos, mas diz que não se pode afirmar se a tentativa de evitar o preconceito é válida. Ainda mais no caso dos personagens que representem minorias como Luke Cage. “Nesses casos é ainda mais difícil, pois não são blockbusters, como X-Men foi no auge”, explica.
Na turma do Limoeiro
Quando o bullying começou a ser um assunto de destaque na sociedade brasileira, os famosos personagens criados pelo cartunista Maurício de Sousa falaram seriamente dele em Bullying – Além do Limite, história da Turma da Mônica Jovem 45, série que aborda a vida da “turminha” na fase da adolescência. Na edição, Quinzinho, o namorado da Magali, é hostilizado pelos colegas de um curso de culinária. Ele, então, recebe a ajuda de Mônica. A protagonista surpreende o amigo afirmando que nunca sofreu bullying na infância. Ela explica que, embora os meninos da rua do Limoeiro a atormentassem com apelidos e perseguições, ela sabia que sempre podia contar com eles quando precisava de ajuda para sair de algum problema.
Ponto de vista
A psicóloga Ramone Dias possui uma coleção de gibis. Segundo ela, apesar de as histórias em quadrinhos serem uma mídia democrática, capaz de atingir pessoas de todas as idades, de todos os gêneros e de todas as classes sociais, ainda não é suficiente para causar uma conscientização nos leitores no sentido de combater o bullying e o preconceito. “Na verdade, o que ainda falta é a percepção dos leitores de que o quadrinho é uma forma de abordagem válida”, opina.