Raquel Martins Ribeiro
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Apesar da já conhecida crise que vem afetando o mercado fonográfico nos últimos anos, há uma corrente positiva em torno da música de concerto contemporânea. O gênero está surpreendendo não só os virtuosos instrumentistas, mas os incentivadores que se dedicam a esse segmento musical no Brasil. A observação é feita pelo compositor e produtor carioca Sergio Roberto, que garante: a música clássica vai na contramão dos outros estilos. “O público da música erudita não é volátil, pelo contrário, são muito fiéis. Esse é um fator que contribui para o mercado não estagnar”.
O músico credita a boa fase da produção fonográfica da música clássica à experiência que os artistas do segmento têm em driblar as dificuldades. “Apesar de sermos sempre tão deferidos pelas grandes gravadoras e não termos acesso a financiamentos e fundos de apoio do governo, os artistas fazem seu som por amor, sem esperar fama com isso”, explica o carioca.
Dono da única gravadora do gênero no Rio de Janeiro, A Casa Discos, e compositor renomado indicado duas vezes ao Grammy latino na categoria música clássica, Sergio Roberto prepara, atualmente, mais de dez discos. A maioria com previsão de lançamento para ainda este ano. “De um modo geral, os projetos chegam até mim. Os músicos acreditam na minha história. São 13 anos produzindo música erudita”, considera o produtor.
Um dos lançamentos da gravadora é Música Carioca de Concerto – Quintetos de Sopro, disco de estreia do Quinteto Lorenzo Fernandez que reúne obras de compositores atuantes no circuito erudito do Rio, como Ricardo Tacuchian, Thiago Sias, Rudi Garrido, Azael Neto, Rodrigo Marconi. “Eles me procuraram com a ideia de falar de compositores brasileiros vivos. E quis juntar um time de compositores que fizesse um painel do que está sendo feito atualmente”, explica Sergio Roberto.
Parceria revisitada
Neste momento, a obra de Sergio se encontra ainda com a de outro compositor, o norte-americano Mark Hagerty. Juntos eles acabam de lançar o CD Pares, três anos após se reunirem em Luminosidade, primeira parceria dos dois. “Ele me contou que tinha acabado de compor uma música. A canção era Metamorfose, que está no novo disco. A partir daí, começamos a pensar no álbum”, relembra.
O músico explica que o nome do álbum, Pares, vem dos pares de instrumentistas e compositores que integram a obra, que tem como intérpretes o Duo Santoro (violoncelos) e o Duo Bretas-Kevorkian (piano a 4 mãos).
Compromisso com o som conteporâneo
O músico explica que apesar de gostar dos grandes clássicos da música erudita, como Beethoven e Bach, seu interesse sempre maior pela arte que refletem os compositores de hoje. “Quero saber o que está se passando na cabeça dos criadores de agora. Isso sempre me entusiama mais”, revela Sergio Roberto.
Para o compositor, a música popular se utiliza de uma linguagem antiga enquanto a música de concerto está sempre buscando símbolos novos. “Estamos com uma geração de músicos excelentes, tanta gente boa fazendo tanta coisa bacana agora. Nossa música é mais que Villa-Lobos”.
Maior Visibilidade
O que falta agora, segundo Sergio, é dar mais visibilidade a esse trabalho para que possa ser alcançando um público ainda maior. “As pessoas precisam ouvir, conhecer a música clássica, para poderem ficar mais abertas ao que não é comercial”, acredita. E conclui: “De qualquer maneira, acho que sempre tem uma chance de melhorar”.
Saiba mais
Indicado ao Grammy Latino 2011 na categoria Melhor Composição Clássica Contemporânea, o compositor carioca Sergio Roberto de Oliveira vem participando ativamente do cenário musical brasileiro e internacional em seus 15 anos de carreira.