Conhecido por filmar filmes psicológicos como poucos, como Clube da Luta e Seven, David Fincher tem no currículo a façanha de ter realizado um remake quase tão bacana quanto o original em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Desta vez, ele entrega outro ótimo filme ao dirigir uma das adaptações literárias mais aguardadas do ano, Garota Exemplar.
Baseado no best-seller de Gillian Flynn, que também assina o roteiro, o suspense tem uma trama repleta de reviravoltas inteligentes feitas para deixar o espectador de boca aberta.
No filme, somos apresentados a Nick Dunne, numa interpretação muito segura de Ben Affleck (Argo), que vê sua vida se transformar num inferno quando sua mulher desaparece. Com a ajuda da polícia, ele começa a investigar seu sumiço e nos leva a desvendar, pouco a pouco, cada nuance do relacionamento dos dois – que apesar das aparências, está bem longe de ser considerado ideal. Tem de lidar também com a fofoca dos vizinhos, a desconfiança de pessoas próximas e da própria polícia, que começa a questionar se Nick pode ser o culpado pelo desaparecimento da esposa.
Isso sem falar na presença constante da mídia, que faz um alarde em torno do caso por se tratar de uma mulher branca desaparecida. Crítica à sociedade norte-americana muito bem explorada por Flynn e Fincher.
Destaque para a atuação de Rosamund Pike, até então desconhecida do grande público. A atriz vive Amy, mulher de Nick, e mostra competência ao compor uma personagem que nos faz duvidar de sua índole. A personagem serve de narradora em off, a partir de um diário, para várias sequências em flashbacks que nos ajudam a entender o filme. Tudo muito bem amarrado.
Garota Exemplar é forte candidato ao Oscar 2015 graças às suas ótimas atuações, a direção detalhista de Fincher e a excelente narrativa de Flynn.