
A vida real de cinco atores mesclada com doses de ficção é o mote para o mais recente trabalho da premiada Cia. Hiato. O projeto intitulado “Ficção” apresenta cinco montagens realizadas a partir de histórias vivenciadas pelos atores, com toques de dramaturgia acrescentados pelo diretor. Ao final, os enredos se entrelaçam e formam uma leitura completa, mas é perfeitamente possível compreendê-los separadamente. A peça, que já passou por várias capitais brasileiras e recebeu elogios da crítica, chega ao teatro da CAIXA Cultural Brasília, nos dias 9, 10 e 11 de agosto de 2013.
Cinco monólogos ocupam o mesmo palco em períodos diferentes, criando contextos ficcionais diversos para o mesmo espaço cênico. Os formatos de cada uma das intervenções, interpretadas pelos atores: Aline Filócomo, Fernanda Stefanski, Luciana Paes, Mariah Amélia Farah e Thiago Amaral, variam desde um monólogo biográfico até um encontro cênico com a presença de familiares dos atores em cena. O espectador irá notar que o objetivo é discutir os limites do palco e da plateia, e “perturbá-lo” para que ele descubra os limites entre a verdade e a ficção.
Em Brasília, “Ficção”, que acaba de ser indicado a três categorias do Prêmio Shell (melhor diretor/Leonardo Moreira; melhor ator/ Thiago Amaral e melhor atriz/ Luciana Paes), faz curta temporada de apenas três dias em cartaz. Na sexta (9), serão duas apresentações: os monólogos Luciana Paes [de Barros] e Fernanda Stefanski [bernardes]. No sábado (10), o público poderá assistir a mais três: Maria Amélia [bethoven] Farah; Aline [moreira] Filócomo; Thiago [campos] Amaral. No domingo (11), o espectador poderá conferir todas as peças em um só dia, com intervalo de 20 minutos entre o terceiro e o quarto solo. Cada monólogo dura, aproximadamente, 60 minutos.
Para Moreira, “Ficção” é um espetáculo composto por cinco esboços, autorretratos, rascunhados com honestidade e coragem pelos atores”, explica o diretor. “Esses cinco monólogos, algo como museus em que intimidade e teatralidade se condensam, são refrações de um mesmo questionamento: é possível fugir da ficção na vida? Perder a ficção também não é perder uma realidade?”, completa.
Brasília já experimentou o trabalho da Cia. Hiato. O premiado espetáculo “O Jardim” passou pela cidade na temporada 2011 do Cena Contemporânea e deixou marcas.“ Lindo, profundo e poético”, conta William Ferreira, ator brasiliense. Cássio Pereira, diretor e roteirista, assistiu “Ficção” (Thiago e Maria Amélia) em São Paulo e adianta: “Os monólogos se constroem no tênue limite entre o real e a ficção, e nesta zona de incerteza encontram sua força para arrebatar o público. A encenação do real em tom minimalista acaba criando uma intimidade instantânea entre ator e plateia, e não há outra alternativa senão se render às histórias de cada “personagem”, mesmo que tragam emoções que não são fáceis de digerir”.
As cinco ficções:
“Ficção Aline [moreira] Filócomo” expõe uma pequena enciclopédia de “alines”, desvendando a criação de uma ficção impossível, discutindo procedimentos de repetição e ineditismo, revendo os espetáculos que já fez e os que nunca fará.
Com Aline Filócomo
Colaboração: Milena Filócomo
“Ficção Fernanda Stefanski [bernardes]” expõe, por meio de fotografias e reconstituições, uma tragédia familiar – o possível suicídio de seu tio – questionando os limites éticos implicados na coincidência entre arte e vida, repetição e impressão, ficção e realidade.
Com Fernanda Stefanski
“Ficção Luciana Paes [de barros], em um prólogo para outra atriz, questiona a autoria em um processo criativo e colaborativo, ao apresentar um projeto artístico inspirado pela artista Frida Kahlo, porém não realizado por ela. A atriz é autora do vídeo Plimplimplomplom, postado recentemente na internet e que recebeu milhares de acessos.
Com Paula Picarelli
Colaboração Luciana Paes
“Ficção Maria Amélia [bethoven] Farah” relata a transição de filha para mãe, fundindo a experiência da maternidade com a experiência criativa. Ao relatar sua biografia e o contexto cultural que a formou (a ascendência árabe) e suas tentativas de matar a própria mãe, a atriz retoma uma vida abandonada.
Com Maria Amélia Farah
“Ficção Thiago [campos]” Amaral propõe a criação de uma ficção como pretexto para reatar laços com seu pai, após alguns anos sem qualquer contato. O papel rendeu a Thiago o prêmio Questão da Crítica de Melhor Ator (2012).
Com Thiago Amaral
Colaboração Dilson do Amaral
Sobre a Cia. Hiato:
Criada em 2008, a Cia. completa cinco anos de trabalho criativo e já coleciona três espetáculos premiados, são eles: “Cachorro morto”, “Escuro” e “O Jardim”. Com “Ficção”, sua mais recente produção, a Cia. Hiato está se consolidando como um dos mais destacados e promissores coletivos de investigação teatral não só da capital paulista, mas referência em todo país. O grupo vem definindo seu projeto artístico continuado com respaldo de público, crítica e de reconhecida importância para a formação e democratização cultural em todas as cidades por onde passa. A Cia. possui oito membros permanentes, e um deles é brasiliense: Aura Cunha, que começou a carreira artística na UnB, mas há 13 anos mudou-se para São Paulo.
Sobre Ficção:
Estreou em outubro de 2012, em São Paulo e foi indicado ao prêmio Cooperativa Paulista de Teatro de Melhor Elenco e Projeto Visual – além do já citado prêmio Questão da Crítica de Melhor Ator para Thiago Amaral. A montagem participou do festival “Santiago a mil”, no Chile, e do “Festival Tempo”, no Rio de Janeiro.
Sobre Leonardo Moreira:
É mestre em Dramaturgia pela Universidade de São Paulo e diretor da Cia. Hiato. Estreou como autor e diretor com a peça “Cachorro Morto” (2008) e com o texto seguinte, “Escuro”, recebeu o Prêmio Shell 2011 de Melhor Autor. Com “O Jardim” recebeu 19 indicações aos principais prêmios do país e venceu o Prêmio Shell 2012 como Melhor Autor, além do Prêmio APCA 2012 de Melhor Direção, Prêmio Governador do Estado de São Paulo – Melhor Espetáculo, e Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro – Melhor Autor e Melhor Espetáculo. Também são de sua autoria “Bagagem” (finalista do Prêmio Luso Brasileiro de Dramaturgia), “Dois Pássaros”, “Prometheus – a tragédia do fogo” (espetáculo selecionado a participar dos Festivais de Avignon e Edimburgo e indicado a três Prêmios Shell 2012, e a Melhor Autor Prêmio CPT 2012,) e “Menor que o Mundo” (diretor). Dirigiu o espetáculo “O Silêncio Depois da Chuva” (indicado a dois Prêmios Shell 2012) e atualmente dirige o “Projeto Ficção”.
Serviço:
Ficção – Cia. Hiato
Data: 9, 10 e 11 de agosto de 2013
Horário: sexta (9) e sábado (10), às 20h. Domingo (11), às 17h
Local: CAIXA Cultural Brasília – Teatro da CAIXA
Endereço: SBS, Quadra 4, Lotes 3/4 – edifício anexo à matriz da CAIXA
Duração: 60 minutos cada monólogo
Informações: (61) 3206-9448 /3206-9449
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Meia-entrada para estudantes, professores, funcionários e clientes CAIXA, pessoas acima de 60 anos e doadores de agasalho
Bilheteria: de terça a sexta-feira, das 12h às 21h; sábado e domingo, das 9h às 21h
Lotação: 90 lugares
Classificação etária: 18 anos
Apresentações:
Sexta (9):Ficção Luciana Paes [de barros]; e Ficção Fernanda Stefanski [bernardes] .
Sábado (10): Ficção Maria Amélia [bethoven] Farah; Ficção Aline [moreira] Filócomo; Ficção Thiago [campos] Amaral.
Domingo (11): Ficção Maria Amélia [bethoven] Farah; Ficção Luciana Paes [de barros]; Ficção Thiago [campos] Amaral; Ficção Fernanda Stefanski [bernardes].
Ficha técnica:
Direção e dramaturgia: Leonardo Moreira
Elenco: Aline Filócomo, Fernanda Stefanski, Luciana Paes, Mariah Amélia Farah e Thiago Amaral
Colaboradores: Dilson do Amaral, Milena Filócomo e Pedro Tosta
Gestão, produção e colaboração criativa: Aura Cunha
Direção de arte (cenário e desenho de luz): Marisa Bentivegna
Assistência de cenografia: Ayelén Gastaldi e Julia Saldanha
Figurinos: João Pimenta
Núcleo de dramaturgia: André Felipe, Diogo Spinelli, Mariana Delfini, Michelle Ferreira, Rafael Gomes e Thompson Loiola
Fotos e vídeos: Otávio Dantas
Programação visual: Cassiano Tosta
Operação de luz, vídeo e som: Fabrício Licursi