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Viva

Fica: uma mensagem além do cinema

Arquivo Geral

01/06/2014 7h30

Além de proporcionar o debate sobre as causas verdes e provocar reflexões sobre o tema, o Fica – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental – evento que acontece até domingo, na Cidade de Goiás (a 320 km de Brasília), incentiva a cultura local. Seja no cinema, com a mostra ABD Cine Goiás, como também talentos de outras esferas da arte. Lançamento de livros, shows musicais – além de grandes artistas, como Gal Costa, que canta hoje – também têm espaço na programação.

É o caso de João Colagem, que carrega no nome artístico a técnica que usa para criar suas obras. Ele está com uma exposição e ainda ministra oficinas gratuitas, onde ensina noções de colagens para quem quiser aprender. “Trabalho há 30 anos com colagens, fazendo obras de muitas temáticas, como figuras humanas ou olhares da cidade”, explica. Os minicursos duram três horas e, no final, os alunos produzem uma obra. A atividade segue a linha ecológica do festival, já que recicla materiais que iriam para o lixo, como jornais e revistas.

Considerado o maior evento no calendário cultural de Goiás, o festival procura conscientizar a população para a causa ambientalista. “A função do Fica é educativa. Eu acredito que daqui saem apelos, que as pessoas saem tocadas”, comenta Gilvane Felipe, secretário de Cultura do Estado de Goiás. Ele ainda cita o projeto Fica na Comunidade. “É para discutir o que fica do Fica. E inclui atividades que permanecem o ano inteiro, como exibições de filmes em escolas, cita.

Mostra Competitiva

Entre os destaques dos filmes exibidos na última sexta está A Will for the Woods, documentário que acompanha os últimos meses de vida de um homem com câncer em estágio terminal que decide ter um enterro verde, dentro de uma floresta. O filme propõe uma interessante discussão sobre o fato de se colaborar com o meio ambiente mesmo depois da morte, evitando que áreas sejam destruídas para a construção de cemitérios, além de outros fatores.

O hipnótico Metamorphosen, de Sebastian Mez, conta com uma incrível fotografia preto e branco que lembra o trabalho de Sebastião Salgado. O assunto, entretanto, não traz beleza: denuncia uma série de acidentes nucleares que aconteceram na Rússia e foram encobertos. Com planos longos que mostram paisagens naturais que carregam um perigo invisível, a produção alemã mostra sobreviventes que vivem com os danos causados pela radiação e os que ainda convivem na área que é considerada a mais radioativa do planeta. 

DF

O único representante de Brasília na Mostra Competitiva, A Ditadura da Especulação, de Zé Furtado, foi exibido ontem. Mostrado pela primeira vez no 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2012, o curta-metragem polêmico mostra a resistência da comunidade indígena contra a construção do setor Noroeste. “Os apoiadores sofreram inúmeros tipos de violência por parte da segurança das construtoras e da Polícia Militar do DF. O filme traz cenas destes embates e mostra que a resistência ainda continua”, comentou o cineasta, à época, em entrevista ao Jornal de Brasília.

* O repórter viajou a convite da organização do festival

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