A Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe até 16 de outubro a retrospectiva “Ruy Guerra – Uma Vida de Cinema”, que reúne 17 longas-metragens e dois documentários sobre a vida e a obra do cineasta. A mostra tem entrada gratuita e percorre quase sete décadas da filmografia de Ruy Guerra, do primeiro longa, “Os Cafajestes” (1962), até “A Fúria” (2024), seu trabalho mais recente.
Entre os destaques da programação está “Ternos Caçadores” (1969), produção francesa que durante décadas esteve praticamente inacessível ao público brasileiro e agora será exibida em versão restaurada em 4K. Também integra a seleção “Kuarup”, obra importante na trajetória do diretor, que será apresentada em película.
Os documentários da retrospectiva são “O Homem que Matou John Wayne” (2015), de Bruno Laet e Diogo Oliveira, e “Tempo Ruy” (2021), de Adilson Mendes. Segundo o curador e cineasta Aristeu Araújo, a proposta foi reunir os filmes de Ruy Guerra que pudessem integrar uma retrospectiva mais ampla, apesar das dificuldades de preservação e de acesso a cópias em bom estado.
Araújo afirma que parte da filmografia do diretor apresenta materiais deteriorados pelo tempo e pela má conservação, o que exige pesquisa e localização de cópias em arquivos físicos e digitais. A entrada gratuita, segundo ele, amplia o acesso ao trabalho do cineasta e contribui para a divulgação do cinema brasileiro.
A mostra também terá uma masterclass com o próprio Ruy Guerra neste sábado, às 18h, dedicada à construção artística e política da “Trilogia dos Fuzis”. O encontro terá ingressos distribuídos meia hora antes, na bilheteria da Caixa Cultural.
Nascido em Moçambique, Ruy Guerra chegou ao Brasil em 1958 e se tornou um dos principais nomes do Cinema Novo. A produção do cineasta é marcada por temas políticos, diálogo com outras linguagens artísticas, experimentação estética e forte presença da literatura, com adaptações de autores como Gabriel García Márquez e Antonio Callado.