O Centro Cultural Banco do Brasil recebe, até 21 de junho, a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”, dedicada à obra do artista uruguaio Joaquín Torres García. Com entrada gratuita e curadoria de Saulo di Tarso, a mostra reúne um conjunto expressivo de trabalhos do artista em diálogo com mais de 70 nomes da arte moderna e contemporânea, destacando sua influência na construção de uma linguagem artística latino-americana com projeção internacional ao longo do século XX.
A mostra marca o encerramento, no Brasil, das comemorações pelos 150 anos de nascimento de Torres García. Segundo a organizadora do projeto, Cintia Taboada, a exposição representa um momento importante para a arte latino-americana.

“Pra gente é uma honra muito grande encabeçar e organizar no Brasil uma celebração que começou no Uruguai pelos 150 anos de nascimento desse artista, que é um artista histórico para a história da arte moderna e para a história da arte latino-americana. Então nós estamos tendo aqui no Brasil a oportunidade de celebrar e encerrar essas comemorações”, afirma.
A exposição começou a ser organizada ainda em 2023, após ser selecionada em edital do CCBB. Desde então, a equipe trabalhou na articulação de empréstimos de obras e documentos vindos de diferentes partes do mundo. Entre os acervos presentes estão peças do Museo Torres García, no Uruguai, além de instituições como o MACBA, o IVAM, a Colección Telefónica, o MASP e a Pinacoteca de São Paulo.
Para Cintia Taboada, um dos principais objetivos da mostra é revelar a atualidade do pensamento de Torres García. “Essa exposição procura revelar o quão atuais são as questões que ele colocava desde a década de 1930. Inclusive, por ser o autor da América invertida e de todas as questões decoloniais, ele é um pioneiro. Além disso, ele discute a identidade da América Latina e o resgate das raízes ancestrais”, explica.

A curadoria da exposição foi assinada por Saulo di Tarso, que afirma que o projeto nasceu de um desejo antigo. Segundo ele, a ideia era apresentar um Torres García ainda pouco conhecido pelo público brasileiro, indo além da imagem do artista construtivista.
“Essa exposição nasceu de um sonho que eu tinha desde 2009. A gente resolveu fazer um recorte muito amplo e trazer um Torres García que ainda não tinha sido visto. Por isso, reunimos escritos, desenhos, correspondências e obras inéditas no Brasil, além de peças vindas de vários países europeus”, destaca.
Entre os destaques da mostra está a presença da obra América invertida, raramente exibida fora do Uruguai. A curadoria também aproxima o artista de nomes brasileiros como Cecília Meireles, Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Rosana Paulino, Athos Bulcão e Rubens Valentim.
Para Saulo di Tarso, trazer a exposição para Brasília tem um significado especial. “Quando ele chega no coração do Brasil, é uma ideia de emancipação da arte sul-americana que chega ao coração de uma cidade que também representa esse sonho de emancipação. Essa obra estar hoje próxima da Praça dos Três Poderes e das embaixadas é uma expressão única de que o Brasil ainda é um grande espaço de celebração da autonomia da nossa cultura”, conclui.
Serviço – Joaquín Torres García – 150 anos
Local: CCBB Brasília
Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves – Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro
Data: de 31 de março a 21 de junho
Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até 20h40)
Classificação: livre
Ingressos em www.bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB Brasília
Transporte gratuito de quinta a domingo, saindo da Biblioteca Nacional
Gratuito