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Exposições

Memória, bordado e sobrevivência marcam exposição de Keyte Marrone em Brasília

A mostra transforma memórias pessoais em arte têxtil e propõe um mergulho sensível e político na trajetória da artista

Aline Teixeira

10/04/2026 5h00

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Foto: Divulgação

A exposição Métier – Fazer a vida não é procriar, e sim sobreviver, da artista travesti Keyte Marrone, segue em cartaz até o dia 26 deste mês no Espaço Cultural Renato Russo, em Brasília. A mostra transforma memórias pessoais em arte têxtil e propõe um mergulho sensível e político na trajetória da artista.

A ideia da exposição surgiu a partir da oficina de bordado Transborde, voltada para pessoas trans e realizada no espaço da Inverso, coletivo de saúde mental que há mais de duas décadas promove reflexões sobre a existência e suas encruzilhadas. Durante o processo coletivo de bordar, emergiram obras atravessadas pelas lembranças e vivências de Keyte, dando origem à mostra.

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Keyte Marrone. Foto: Divulgação

Com cerca de 11 instalações, Métier apresenta uma narrativa autobiográfica construída a partir de técnicas como bordado, crochê, costura e tricô. Os trabalhos traduzem fragmentos de memória em objetos artísticos que combinam delicadeza e força, revelando camadas de dor, afeto e resistência.

Nascida em Brasília nos anos 1960, Keyte Marrone constrói sua obra a partir da memória de seus antepassados, costurando o presente com elementos da infância. Em seus trabalhos, o corpo travesti aparece como território político e afetivo — marcado pela violência estrutural, mas também atravessado por desejo, espiritualidade e potência criativa.

Na exposição, as peças são dispostas de forma não linear, acompanhando a lógica fragmentada das memórias. A proposta é que o público percorra essas lembranças e, simbolicamente, também se coloque nesse processo, como quem borda suas próprias histórias.

A abertura da mostra contou com uma performance da artista, ampliando o diálogo entre corpo, memória e criação que atravessa toda a exposição. Durante o período de visitação, o público também pode assistir ao documentário Rosas do Asfalto, disponível no YouTube, que aborda experiências da população travesti e trans e dialoga diretamente com os temas presentes na obra de Keyte.

Serviço:
Visitação: 14 de março a 26 de abril
Local: Espaço Cultural Renato Russo – 508 Sul, Brasília
Horário: Terça a domingo, das 10h às 20h
Abertura: 14 de março, às 18h
Entrada gratuita – Classificação livre
14 de março, às 19h
Performance da artista Keyte Marrone

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