O Museu de Arte de Brasília (MAB) abre, nesta terça-feira (24), uma nova exposição que convida o público a revisitar camadas menos visíveis da capital federal. A proposta parte de uma inquietação direta: como uma cidade constrói sua memória quando parte de sua história permanece esquecida? A mostra se apresenta como um convite a observar Brasília para além de sua monumentalidade, revelando narrativas que seguem em disputa.
A exposição reúne registros visuais, documentos históricos e fragmentos de experiências que constroem um percurso sobre a formação da cidade. Em vez de organizar a história de forma linear, a curadoria propõe conexões entre tempos distintos, aproximando passado e presente e abrindo espaço para reflexões sobre pertencimento, ausência e permanência.
Ao longo do trajeto, imagens, relatos e vestígios materiais evidenciam uma Brasília que escapa das versões mais conhecidas. A cidade planejada cede espaço a uma cidade vivida, marcada por ocupações, transformações e usos que nem sempre foram registrados oficialmente, mas que ajudam a compreender sua identidade em constante movimento.
Entre memória e reinvenção
A proposta curatorial adota um olhar atento sobre o patrimônio e suas múltiplas leituras. Ao trazer à tona arquivos pouco explorados e narrativas que ficaram à margem, a exposição amplia o debate sobre quem constrói a memória coletiva e quais histórias permanecem visíveis.
De acordo com Maíra Guimarães, o edifício que hoje abriga o MAB carrega uma das trajetórias mais complexas da capital. Construído ainda durante os preparativos para a inauguração de Brasília, o espaço foi inicialmente pensado como restaurante do conjunto anexo ao Brasília Palace Hotel. Com o passar dos anos, acabou assumindo diferentes funções, passando por usos diversos, como sede do Clube das Forças Armadas, da Associação Atlética Novacap e até como Casarão do Samba. Foi somente em 1985 que o local passou a abrigar, de forma definitiva, o acervo de arte do Governo do Distrito Federal.
“A exposição não se limita a olhar para o passado, ela também projeta possibilidades para os espaços públicos da cidade”, afirma Maíra Guimarães. “É um convite para que o público compreenda o patrimônio como algo em permanente construção, atravessado por disputas, assim como as próprias cidades.”
A experiência propõe uma relação ativa com o público. Diante dos arquivos, imagens e relatos, o visitante é convidado a interpretar, questionar e se reconhecer como parte dessa história em curso.
SERVIÇO:
Exposição: MAB: Museus Possíveis
QUANDO: 24 de março a 24 de maio de 2026
ONDE: Museu de Arte de Brasília – MAB
QUANTO: Entrada gratuita
Mais informações: @museus.possiveis