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Exposições

Exposição reúne quatro décadas da imigração brasileira ao Japão  

Mostra “Memória Viva, Brasileiros no Japão” chega à Universidade de Brasília após passar por Tóquio, São Paulo e Curitiba

Alexya Lemos

24/08/2026 11h02

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Foto: Divulgação

Quase quatro décadas depois do início do movimento migratório que levou milhares de brasileiros ao Japão em busca de trabalho, a trajetória dessa comunidade ganha uma exposição dedicada à preservação de sua memória. A mostra “Memória Viva, Brasileiros no Japão” começa hoje, com abertura para convidados no Espaço da Memória da Universidade de Brasília (MemoUnB). A visitação gratuita começa na terça-feira (25) e segue até sexta-feira (28).

A exposição reúne documentos, fotografias, jornais, revistas, objetos e outros registros produzidos desde os anos 1980. O acervo acompanha a formação e as transformações da comunidade brasileira no Japão, além de abordar sua contribuição para a sociedade japonesa, o impacto econômico da migração no Brasil e os reflexos desse movimento nas relações entre os dois países.

O fluxo migratório atingiu seu maior contingente em 2007, quando mais de 310 mil brasileiros viviam no Japão. A crise financeira internacional de 2008 e o terremoto de Tohoku, em 2011, contribuíram para o retorno de parte dessa população. Atualmente, a comunidade se estabilizou em torno de 210 mil residentes e apresenta um perfil mais permanente, composto por famílias, estudantes, empreendedores e trabalhadores que mantêm vínculos com os dois países.

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Foto: Divulgação

Memória registrada pela própria comunidade

Idealizada por Miguel Kamiunten, representante da Nihon Kaigai Kyokai, do Movimento Brasileiros Emigrados e da Restart Community, a mostra foi organizada em parceria com essas entidades e recebeu apoio da Embaixada do Brasil em Tóquio, da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), da Associação Central Nipo-Brasileira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo Kamiunten, a iniciativa nasceu da necessidade de preservar uma documentação construída pelos próprios brasileiros que participaram desse processo migratório.

“Há pessoas no Brasil que ainda mantêm fortes laços com o Japão, elas fazem parte dessa história. Visamos também dar visibilidade para essa comunidade perante o poder público e a sociedade. Mesmo estando em outro continente, não deixaram de ser brasileiros e nem de contribuir economicamente com o país natal”, afirma.

Distribuída em 36 painéis trilíngues, em português, japonês e inglês, a exposição apresenta materiais que ajudam a reconstruir diferentes momentos da imigração contemporânea. Entre eles estão um tabloide publicado em 1986, as primeiras edições de quatro jornais em português voltados à comunidade brasileira no Japão e exemplares de mais de 40 revistas comunitárias.

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Foto: Divulgação

Fotografias, reportagens, documentos históricos e registros de acontecimentos marcantes também fazem parte do acervo. O conjunto evidencia a transformação de uma comunidade inicialmente marcada pela migração temporária de trabalhadores em uma população com vínculos mais duradouros com o Japão.

Durante a visitação em Brasília, o público também poderá assistir a um documentário produzido entre fevereiro e junho deste ano, com entrevistas de jornalistas que atuaram ou ainda atuam na mídia comunitária brasileira no Japão. O filme ficará disponível exclusivamente na exposição até dezembro.

Para os organizadores, jornais e revistas produzidos pela comunidade tiveram papel que ultrapassou a informação cotidiana. Esses veículos orientaram trabalhadores e famílias, registraram acontecimentos e acompanharam mudanças sociais, econômicas e culturais. Hoje, esse material constitui uma fonte documental para pesquisas sobre migração, comunicação e relações internacionais.

Do Japão ao Brasil

Inaugurada em junho na Embaixada do Brasil em Tóquio, a exposição passou posteriormente por cidades japonesas com concentração significativa de brasileiros, antes de iniciar a circulação no Brasil.

A primeira etapa brasileira ocorreu em São Paulo, entre 2 e 9 de agosto, no Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil. Depois, a mostra esteve na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, de 14 a 18 de agosto. Em Brasília, permanece no Espaço da Memória da UnB entre os dias 25 e 28.

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Foto: Divulgação

Em São Paulo, a exposição recebeu a visita de Midori Matsushima, assessora especial da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, acompanhada da cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, e de diretores do Bunkyo. Em Curitiba, a mostra também foi visitada pelo cônsul-geral do Japão, Matsushiro Toshinori.

Segundo os organizadores, durante a visita em São Paulo, Matsushima demonstrou especial interesse pela cronologia da comunidade brasileira no Japão e pelos painéis relacionados à educação.

Remessas e vínculos com o país

A exposição também busca evidenciar que a migração não rompeu os vínculos entre os brasileiros e o país de origem. Parte da comunidade retornou ao Brasil após a crise financeira de 2008 e o terremoto de Tohoku, enquanto outra parcela permaneceu no Japão ou mantém familiares no país asiático.

Atualmente, mais de 5,2 milhões de brasileiros vivem fora do Brasil, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores. A comunidade brasileira no Japão está entre as maiores da diáspora brasileira e ocupa a sétima posição entre os grupos estrangeiros residentes no país asiático.

A participação cívica também permanece como um elo entre os dois países. Aproximadamente 900 mil brasileiros estão aptos a votar no exterior, dos quais mais de 87 mil estão no Japão.

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Foto: Divulgação

“Mesmo vivendo no exterior, esses brasileiros continuam sendo cidadãos brasileiros. Eles acompanham o que acontece no país, participam das eleições, mantêm vínculos com suas famílias e seguem contribuindo para o Brasil de diferentes formas, como por meio das remessas financeiras. Essa exposição também procura dar visibilidade a essa comunidade e à importância de sua trajetória”, afirma Kamiunten.

Além da exposição, os organizadores pretendem ampliar a documentação sobre essa história. Um QR Code disponível no espaço permitirá que os visitantes respondam a um formulário sobre suas experiências e relações com a comunidade brasileira no Japão. As informações poderão contribuir para futuras pesquisas e para a formação de um acervo mais abrangente sobre a migração.

Serviço
Exposição “Memória Viva – Brasileiros no Japão”
Quando: 25 a 28 de agosto, das 9h30 às 19h
Abertura: 24 de agosto, para convidados
Onde: Espaço da Memória da UnB (MemoUnB), Edifício SG 10, Campus Darcy Ribeiro, ao lado do Auditório da Música
Entrada: gratuita

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