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Exposições

Exposição registra a educação pública brasileira durante e após a pandemia

Projeto da fotógrafa Zélú reúne 80 imagens produzidas em escolas e universidades das cinco regiões do país e entra em cartaz no Espaço Cultural Renato Russo

Alexya Lemos

26/02/2026 7h53

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Foto: Zelu Mercurio/ Divulgação

A experiência da educação pública brasileira no período da Covid-19 é o eixo do livro de fotografias “escola_em_casa: sentimentos presenciais!”, da fotógrafa Zélú, publicado pela Editora Mercurio. A obra será lançada em março no Espaço Cultural Renato Russo, que também recebe, de 5 a 13 de março, exposição com parte do material produzido ao longo do projeto.

A exposição apresenta 11 fotografias do projeto e conta com curadoria e palestra da historiadora, arte-educadora e artista da palavra Bruna Paz, que conduz a conversa “Educar em Meio à Crise: Arte e escola na pós-pandemia” no dia do lançamento. Ao articular fotografia, performance e escrita coletiva, “escola_em_casa: sentimentos presenciais!” propõe um reencontro com a escola como espaço de afeto, presença e resistência.

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Foto: Zelu Mercurio/ Divulgação

O projeto foi realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC/DF), vinculado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

Com 80 fotos, o livro nasce de uma pergunta recorrente nas salas de aula entre 2020 e 2025: “O que vocês estão sentindo hoje?”. A partir das respostas, que atravessam sentimentos como tédio, medo, sono, incerteza e esperança , a artista construiu um retrato afetivo de um dos períodos mais desafiadores da história recente do país, transformando emoções compartilhadas em memória coletiva.

Segundo a fotógrafa, o processo de escuta redefiniu sua prática artística. “Ouvir o que estamos sentindo transformou minha fotografia, não tornando ela uma ferramenta registradora de memórias, mas uma forma de mostrar aquilo que sentimos da maneira mais lúdica possível, olhando pra escola e pra educação como um estudante que sonha ser professor”, afirma.

Entre 2020 e 2025, Zélú percorreu escolas e universidades públicas das cinco regiões do Brasil com câmera e caderno em mãos. O trabalho resultou em um acervo que ultrapassa o registro documental tradicional. Em diálogo com estudantes e professores, a artista desenvolveu fotos-performances que incorporam elementos de exagero e surrealismo, como carteiras empilhadas, encenações de exaustão e gestos que evidenciam emoções muitas vezes silenciadas no cotidiano escolar.

Com a retomada das aulas presenciais, a pesquisa ganhou novos desdobramentos a partir do “caderno de sentimentos presenciais”, que circulou por turmas em cidades como Belém, Brasília, Contagem, Fortaleza, Guarulhos, Porto Alegre, Salvador e São Paulo. Transformado em espaço itinerante de troca e exposição, o caderno reúne relatos que abordam não apenas os impactos da pandemia, mas também temas como transfobia, assédio, aborto, governo e SUS.

Ao converter esses registros em livro, a artista destaca a intenção de fortalecer a dimensão coletiva da memória educacional. “Quero fazer desse livro uma memória coletiva, nossa, sobre a educação no Brasil hoje”, ressalta. Ao refletir sobre o tipo de lembrança que pretende construir, acrescenta: “Enquanto estudante, quero construir uma memória como se fosse uma semente, que plantada, possa transformar o imaginário que temos da educação hoje”. E completa: “Quero construir memórias com cores vibrantes, flashes e fotografias que são quase um rabisco na mesa, uma brincadeira com a formalidade das salas de aula e a liberdade de ser estudante”.

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Foto: Zelu Mercurio/ Divulgação

Serviço
Exposição Educar em Meio à Crise
Quando: de 05 a 13 de março de 2026, Segunda a sábado, das 10h às 22h
Domingos e feriados, das 10h às 20s
Onde: Mezanino do Espaço Cultural Renato Russo – 508 Sul
Lançamento do livro e palestra: 13 de março de 2026, das 19h às 21h
Local: Praça Central do Espaço Cultural Renato Russo – 508 Sul

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