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Exposições

Exposição no CCBB Rio destaca fotógrafas paraenses e visualidade amazônica

Mostra reúne 170 obras de 11 artistas de três gerações, explorando narrativas femininas sobre identidade e resistência na Amazônia.

Redação Jornal de Brasília

11/02/2026 18h45

exposicao no ccbb rio traz olhar amazonico de fotografas do para01

© Ana Paula Amorim/Divulgação

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro recebe a partir desta quarta-feira (11) a exposição ‘Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará’, idealizada pelo Museu das Mulheres. A mostra reúne 170 obras de 11 fotógrafas paraenses de três gerações, propondo uma experiência que incorpora recursos sensoriais e tecnológicos.

As artistas incluem nomes pioneiros como Leila Jinkings, Cláudia Leão, Bárbara Freire, Paula Sampaio e Walda Marques, além de Evna Moura, Renata Aguiar, Nay Jinkings e Nailana Thiely, e as mais jovens Deia Lima e Jacy Santos. A exposição aborda narrativas visuais sobre identidade, território, memória, ancestralidade e resistência, com elementos inspirados na cultura amazônica.

O público pode explorar fotografias em realidade aumentada e acessar a instalação Icamiabas, com composições aromáticas inspiradas em guerreiras indígenas amazônicas. Há também o filme de realidade virtual ‘Mukathu-hary’ (‘Curandeira’, em tupi), que transporta o espectador para uma aldeia indígena de paisagem milenar.

Para a fotógrafa Evna Moura, a participação representa um reencontro com sua trajetória, destacando ilhas e comunidades amazônicas como Combu e Marajó. Suas obras incluem fotografias em preto e branco, coloridas e fotos expandidas, como fototipias com pigmentos naturais. ‘Cláudia Leão foi minha professora na universidade e é uma inspiração. Leila Jinkings também é uma referência fundamental. Estar aqui com essas mulheres é muito significativo’, conta Evna, que enfatiza o impacto intergeracional de seu trabalho como artista e educadora.

Ela ressalta a presença da Amazônia como elemento político e simbólico para romper visões estereotipadas. ‘Durante muito tempo, nossa identidade foi ferida. Nossos traços e nossa cultura não eram valorizados. Trazer esses elementos para o Sudeste é também afirmar outras narrativas sobre nós. Mostrar uma Amazônia que não é apenas a da miséria, mas também da riqueza cultural, estética e humana’, diz Evna.

Leila Jinkings revisita imagens produzidas desde o final dos anos 1970, incluindo povos indígenas, travestis e manifestações políticas. ‘Gosto muito das fotografias do povo Kayapó. São imagens que levantam reflexões sobre choque cultural com os não indígenas’, afirma. Ela relembra o contexto da ditadura: ‘Fotografei repressões durante a ditadura. Era um período duro, mas fundamental para compreender o papel da imagem para trazer luz para aqueles acontecimentos tão difíceis’.

A curadora Sissa Aneleh explica que a organização reflete uma leitura histórica e conceitual da fotografia paraense, baseada em sua pesquisa de mais de 15 anos. ‘Uma exposição nunca será suficiente para mostrar toda a produção artística do Pará, mas podemos revelar sua força conceitual, estética e narrativa’, diz. O conceito de ‘visualidade amazônica’ estrutura a mostra, com elementos como água, território e presença feminina.

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