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Exposições

Exposição inédita de Tarsila do Amaral em Brasília reflete sobre desigualdades sociais

A mostra reúne 63 obras da artista modernista no Centro Cultural do TCU, iniciando nesta quarta-feira com entrada gratuita.

Redação Jornal de Brasília

11/02/2026 8h19

társila

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A exposição ‘Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral’ abre nesta quarta-feira (11) no Centro Cultural do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, trazendo 63 obras da pintora modernista Tarsila do Amaral (1876-1973). A mostra celebra o centenário de sua primeira exposição individual em Paris e fica em cartaz até 10 de maio, com entrada gratuita.

Organizada por núcleos temáticos, em vez de ordem cronológica, a exposição destaca o olhar social da artista, conectando temas como exploração laboral e desigualdades a questões atuais. Obras como ‘Operários’ (1933), que retrata trabalhadores da indústria com expressões cansadas, ‘Segunda Classe’ (1933) e ‘Costureiras’ (1950) provocam reflexões sobre o tema, especialmente em meio a debates no Congresso Nacional sobre a escala 6 por 1.

Paola Montenegro, sobrinha-bisneta da pintora e gestora de seu legado, afirma que as obras, produzidas há um século, ainda mantêm força e permitem que os brasileiros se enxerguem nelas. ‘As pessoas têm direito à cultura, ao lazer, ao tempo livre’, destaca ela em relação à escala de trabalho.

A curadoria, assinada por Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, explora múltiplos olhares de Tarsila, desde perspectivas figurativas dos anos 1910 até o engajamento social pós-década de 1930. A artista, de família cafeicultora afetada pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929, evoluiu de um mundo privilegiado para se tornar a principal artista plástica do Brasil, influenciada pelo modernismo.

Além do ‘olhar para o outro’, a mostra aborda a formação da artista (‘estar no mundo’), a descoberta de cenários (‘olhar o mundo’) e a exploração do sonho (‘mergulho no onírico’). Trabalhos como ‘Auto-Retrato’ (1923), ‘Palmeiras’ (1925) e ‘São Paulo’ (1924) revelam diferentes facetas, enquanto elementos religiosos e ambientais se misturam a críticas sociais. A icônica ‘Abaporu’ (1928) exemplifica influências da década de 1920.

As obras foram trazidas de institutos, museus e colecionadores, principalmente de São Paulo, após mais de um ano de preparativos. Rachel Vallego enfatiza que as criações de Tarsila atravessam o tempo e se comunicam com temas do terceiro milênio, com olhares diretos que provocam equilíbrio social.

Uma sala imersiva adiciona movimento à experiência, com videografismo original que anima elementos como o sapo recorrente nos quadros, misturando obras como ‘A Cuca’ (1924), ‘Abaporu’, ‘Sol Poente’ (1929), ‘Cartão Postal’ (1929) e ‘Antropofagia’ (1929). Criado sem inteligência artificial por Paola Montenegro e Juliana Miraldi, o conteúdo lúdico visa atrair crianças e promover uma ‘viagem tarsiliana’.

A exposição também resgata aspectos feministas na vida de Tarsila, que interrompeu um casamento nos anos 1910 para seguir carreira artística, com apoio familiar. A diretora do Instituto Serzedello Corrêa, Ana Cristina Novaes, planeja visitas de escolas e faculdades durante o período em cartaz para disseminar o pensamento da artista.

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