Brasília sempre foi mais do que um projeto urbano. Desde antes de sua inauguração, a cidade nasceu como narrativa, utopia, desenho e promessa. É justamente esse entrelaçamento entre memória e criação artística que ganha nova leitura na exposição “Diálogos da Liberdade na Coleção Brasília”, em cartaz no Museu de Arte de Brasília (MAB) até 26 de fevereiro. A mostra apresenta um conjunto de obras do próprio acervo do museu e da Coleção Brasília – Acervo Izolete e Domício Pereira, propondo um olhar atento para a construção simbólica da capital e para as diversas formas de liberdade presentes nessa trajetória.
O fio condutor da exposição parte do álbum fotográfico “Brasília 1960 – O Mais Arrojado Plano Arquitetônico do Mundo”, criado por Mário Fontenelle, fotógrafo oficial do governo Juscelino Kubitschek. São 24 imagens em preto e branco registradas entre 1958 e 1960, período em que Brasília ainda era canteiro de obras e, ao mesmo tempo, palco de celebrações. As fotografias revelam um país que olhava para o futuro com confiança moderna, traduzido em linhas, concreto e horizonte aberto.
A partir desse ponto de partida, a curadoria reúne trabalhos de artistas essenciais para a estética brasiliense e para a consolidação de sua identidade visual. Estão presentes criações de Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Roberto Burle Marx, Athos Bulcão, Marianne Peretti, Alfredo Ceschiatti, Bruno Giorgi, Zeno Zani e Ake Borglund. Em contraponto, nomes contemporâneos como Honório Peçanha, Ziraldo, Danilo Barbosa e Carlos Bracher ampliam o diálogo entre tempos, técnicas e linguagens, mostrando que Brasília continua sendo um território fértil de interpretação.

O percurso expositivo também convida o público a revisitar objetos e registros históricos que fazem parte do imaginário da cidade, como a maquete de lançamento do Romi-Isetta, peças do serviço do Palácio da Alvorada e a primeira fotografia de satélite do Plano Piloto. Documentos raros ajudam a construir o clima da época, entre eles uma carta-depoimento escrita por Juscelino Kubitschek em 1961 e uma homenagem religiosa a Dom Bosco, padroeiro de Brasília.
Entre as obras em destaque está “Museu Imaginado”, do artista mineiro Carlos Bracher, doada recentemente ao MAB. A pintura provoca uma reflexão sobre os limites entre instituição, memória e invenção, sugerindo que o museu também pode ser espaço de sonho e reinvenção.
A experiência do visitante é completada por recursos audiovisuais que aproximam o público dos bastidores históricos. A carta de JK ganha versão em áudio, e um minidocumentário apresenta o processo de criação do álbum “Brasília 1960”, incluindo uma versão colorizada das imagens originais por meio de inteligência artificial. Um encontro entre passado e tecnologia que reabre leituras sobre a mesma paisagem.
Serviço
Exposição: Diálogos da Liberdade na Coleção Brasília
Local: Museu de Arte de Brasília (MAB)
Período: Até 26 de fevereiro
Horário: das 10h às 19h, de segunda a domingo (exceto às terças-feiras)
Instagram: @museudeartedebrasilia