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Exposições

Atlas Imaginário projeta futuros possíveis para Belém em meio à crise climática

Instalação imersiva acontece no SesiLab até março, entrada gratuita

Alexya Lemos

06/02/2026 5h00

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Foto: Bruno Carachesti/ Divulgação

Conhecido por sua programação voltada à ciência e à tecnologia, o SESI Lab apresenta ao público a exposição Atlas Imaginário, uma instalação imersiva que convida o visitante a percorrer cenários especulativos sobre o futuro de Belém do Pará diante da crise climática. Idealizada e dirigida pelos artistas Gabriela Bilá e Diogo Costa Pinto, a obra feita para a COP30 propõe um passeio virtual que passa pelo centro das discussões sobre aquecimento global, urbanização e presença humana na biosfera até março.

Estruturado em núcleos interativos, contemplativos e documentais, o trabalho articula diferentes linguagens para pensar o século XXI a partir de uma perspectiva híbrida, em que cidade e natureza deixam de ser opostos e passam a existir como um único organismo. A proposta nasce de uma pesquisa local aprofundada e utiliza recursos do cinema, das artes visuais e das mídias digitais para criar uma experiência sensorial que convida à reflexão sobre futuros possíveis.

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Foto: Naiara Pontes/ Divulgação

Segundo Gabriela Bilá, a motivação do projeto está ligada à necessidade de ampliar as formas de imaginar o amanhã. “Grande parte das narrativas sobre o amanhã ainda parte de modelos urbanos ocidentais, muito homogêneos, que pouco dialogam com realidades locais, especialmente fora do eixo Europa–Estados Unidos”, afirma a artista.

Para ela, a instalação busca tensionar esses modelos ao propor outros referenciais de futuro. “O projeto surge como uma tentativa de criar outros imaginários de futuro, não baseados apenas em colapso ou em utopias tecnológicas genéricas, mas em modos de vida que já lidam há séculos com adaptação, transformação e coexistência entre humanos e não humanos.”

A crise climática é um dos eixos centrais da obra. A instalação aponta para um cenário em que eventos extremos, como inundações e secas severas, tendem a se intensificar caso o aquecimento do planeta não seja contido. Esse contexto explica a presença de uma barqueira como guia da parte interativa do percurso. É ela quem conduz o visitante por um conteúdo digital tridimensional projetado em looping em uma das paredes do espaço, atravessando paisagens que mesclam ficção e dados científicos.

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Foto: Divulgação

Nesse ambiente renderizado em tempo real, surgem cidades-cardume, florestas biossintéticas, mercados de seca e de chuva e aparelhagens robóticas. Os mundos apresentados transitam entre o utópico, o distópico e o fantástico, sem a pretensão de oferecer previsões fechadas. O visitante participa ativamente da experiência ao manipular uma grande cabeça de cestaria suspensa, posicionada diante da projeção. Com quatro faces inspiradas na geometria das cerâmicas marajoaras, o objeto funciona como um leme, capaz de alterar rotas, provocar turbulências visuais e modificar os rumos dos futuros projetados.

Para Gabriela, a dimensão sensorial é fundamental para o impacto da obra. “A curadoria aposta na ideia de que o envolvimento sensorial e afetivo pode gerar reflexões mais profundas do que uma abordagem puramente informativa. Ao brincar, explorar e se mover pelo espaço, o visitante entra em contato com temas complexos como mudanças climáticas, urbanização e desigualdade sem que isso aconteça de maneira impositiva. A urgência está ali, mas mediada pela experiência”, explica.

A construção do Atlas Imaginário se apoia em um processo experimental e colaborativo, no qual diferentes campos do conhecimento se entrelaçam. “O cinema contribui com narrativa, atmosfera e tempo; os jogos trazem interatividade, agência e exploração; as artes visuais ajudam a construir materialidade, textura e identidade estética. Tudo isso acontece dentro de um ambiente renderizado em tempo real, que funciona como uma espécie de ‘cola’ entre as linguagens”, detalha a artista, destacando a troca constante entre artistas, designers e tecnólogos ao longo do desenvolvimento do projeto.

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Foto: Divulgação

Ao percorrer a instalação, o público é provocado a rever a oposição tradicional entre cidade e natureza. “Pelo caminho, o visitante entra em contato com a ideia de que os impactos da urbanização não são apenas destrutivos ou lineares, mas também geram adaptações, reinvenções e novos modos de coexistência. Isso ajuda a deslocar a visão simplista de cidade versus natureza e a pensar futuros mais híbridos”, observa Gabriela.

Embora carregada de elementos poéticos, a obra se ancora em bases concretas. Os cenários de cheias e secas apresentados partem de simulações científicas e de dados reais sobre o território amazônico, reinterpretados de forma especulativa.

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Foto: Divulgação

Essa conexão com o presente também se manifesta na materialidade digital da instalação. “Além disso, grande parte das bases tridimensionais da instalação foi criada a partir de escaneamentos de espécies, paisagens e fragmentos urbanos reais, coletados em campo em cidades e florestas da Amazônia. Isso faz com que os cenários mantenham um vínculo material e sensorial com o presente, mesmo quando projetam futuros distantes”, completa a artista.

A inteligência artificial aparece no projeto de forma pontual, como ferramenta de apoio técnico. “ Ela foi utilizada principalmente para gerar alguns modelos 3D a partir de fotografias e vídeos capturados em campo, apoiando processos de digitalização e reconstrução do território”, explica Gabriela. Segundo ela, a tecnologia não ocupa o centro da criação. “As decisões estéticas, narrativas e conceituais permaneceram centradas no trabalho humano, no fazer manual, na pesquisa de campo e nos saberes locais.”

O Atlas Imaginário, Belém do Pará fica em cartaz no SESI Lab até março de 2026. As entradas podem ser emitidas pela plataforma de ingressos do espaço ou retiradas presencialmente no hall do primeiro pavimento, com a equipe do local ou no totem de autoatendimento. As visitações ocorrem de terça a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.

Serviço
Atlas Imaginário, Belém do Pará
Local: SESI Lab, Setor Cultural Sul, Asa Sul
Período: até março de 2026
Ingressos: emissão pela plataforma de ingressos do SESI Lab ou retirada presencial no hall do 1º pavimento, com a equipe do espaço ou no totem de autoatendimento
Horários de visitação:
– Terça a sexta-feira: das 9h às 18h
– Sábados, domingos e feriados: das 10h às 19h

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