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Exposição homenageia um século de Athos Bulcão

Por Arquivo Geral 16/01/2018 7h00
Divulgação

Larissa Galli
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Não é exagero dizer que Brasília é uma grande galeria de arte a céu aberto com obras de Athos Bulcão. Dentre vários outros exemplos, a Escola Classe da quadra 407 Norte, a Igrejinha da 108 Sul e a sala Villa-Lobos do Teatro Nacional são alguns dos espaços da cidade que carregam os famosos azulejos do artista. Mas a obra do pintor, escultor e desenhista – carioca de alma brasiliense – não se resume a isso. Em comemoração ao seu centenário, em julho deste ano, o artista falecido em 2008 ganha uma grande homenagem no Centro Cultural Banco do Brasil: uma retrospectiva de toda sua carreira. Em cartaz de hoje a 1º de abril, com entrada franca.

Pinturas figurativas e abstratas, gravuras, foto-colagens, azulejos, relevos acústicos, máscaras e até vestimentas. São várias as manifestações artísticas de Athos Bulcão. A exposição itinerante 100 Anos de Athos Bulcão, que traz toda a diversidade do artista plástico, inicia sua caminhada por Brasília, cidade que contém em seu DNA a maior expressão de sua inventividade poética. Não à toa, foi escolhida para abrir a mostra que vai percorrer outras capitais, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

São mais de 300 trabalhos, incluindo obras inéditas e detalhes do processo de produção, expostos em três galerias do CCBB por dois meses e meio. Com curadoria de Marília Panitz e André Severo, a exposição é um amplo panorama da criação de Athos Bulcão entre os anos 1940 e 2005, contextualizando sua obra e seu pensamento, com o objetivo de fazer um mapeamento e imersão na diversidade dos trabalhos e técnicas do cultuado artista.

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A curadoria organizou a exposição de modo a fazer com que o próprio Athos guie a visitação. “A nossa ideia é que ele possa falar com os visitantes, por isso, incluímos algumas declarações e depoimentos dele, para que conduza a exposição”, explicam os curadores Marília e André.

A mostra está dividida em oito núcleos com os diferentes tipos de arte produzidas pelo artista.

A série Carnaval forma o núcleo 1, chamado A Cor da Fantasia, e abre a mostra. São pinturas figurativas pouco conhecidas entre as criações de Bulcão. “Para nós era muito importante poder mostrar uma quantidade significativa dessa obra que muita gente não conhece. É um trabalho que está espalhado pelo Brasil, com colecionadores, poucos museus têm essas obras”, ressalta Marília.

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Os temas vão de festividades carnavalescas à arte sacra, e “o que impressiona é que ele usava a mesma composição e paleta de cores para tratar de temas praticamente opostos”, salienta André.

Outro núcleo da exposição é marcado pela relação de Athos com a integração de arte e arquitetura. “Mais que os azulejos, queríamos trazer projetos e estudos de caso de Athos para mostrar ao público como todo o trabalho dele estava relacionado e interligado, desde desenhos e pinturas até projetos de divisórias e relevos acústicos”, comenta André. Neste núcleo, além dos projetos de azulejos que decoram o Hospital Sarah Kubitschek, o público tem acesso, também, aos desenhos do projeto dos relevos do interior do Cine Brasília, por exemplo.

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Sinais de Athos: além das obras do artista plástico, na mostra também estão expostos trabalhos de artistas que tiveram o mestre como referência ou influência. São obras de artistas contemporâneos, muitos nascidos em Brasília, que dialogam com o que Athos Bulcão produziu durante toda sua vida.






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