Renata Noiar
*Especial para o Jornal de Brasília
Carioca de alma, coração e nascimento, Luiz Pessanha admite que Brasília foi um desses amores de verão que se prolongou. “Vim para passar duas semanas, isso já faz dois anos”, conta o artista, que inaugura hoje, na Livraria Cultura do CasaPark (Guará), a exposição Máscaras.
Composta por 12 peças, a mostra é fruto da criatividade do autor em seu exílio afetivo no planalto central. “Sou meio cigano. Por minhas andanças, faço observações sobre como somos em sociedade”, explica. A coleção retrata a visão de Pessanha sobre uma sociedade que se mascara para sobreviver coletivamente. “Estamos sempre nos adaptando e, para essa adaptação, é fundamental sermos máscaras”, garante.
Nas obras criadas pelo carioca, a artista levanta as seguintes questões: “uma pessoa precisa de quantas máscaras para viver? O que leva uma pessoa a usar máscaras? Seriam sentimentos que vão do amor ao ódio? Seria o egoísmo o culpado pelo uso das máscaras?”. Pessanha quer fazer o público refletir. Tema mais do que pertinente em tempos de máscaras virtuais, possibilitadas pelo conforto das redes sociais.
Máscaras é a segunda exposição do artista na capital. “Mesmo trabalhando com publicidade, nunca deixei meu lado artista plástico de lado”, diz. A mostra foi desenvolvida com a técnica de tinta acrílica sobre base de acrílico em MDF.
Capas de disco
A coleção dá a dimensão da forma crítica e aguçada com que Luiz encara a realidade. Com formação acadêmica na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalhou como ilustrador do Caderno Literário do Jornal do Commercio. Ao ingressar na gravadora Musidisc, teve seu trabalho reconhecido pela indústria fonográfica, onde permaneceu por uma década, fazendo capas de discos para Odeon, WEA Music, Som Livre, IC, RCA Victor, entre outras.