O Bloco dos Raparigueiros ocupa a Esplanada dos Ministérios no domingo (15), com programação prevista das 16h à meia-noite, reunindo foliões no coração da capital para mais uma edição de sua celebração carnavalesca. A concentração marca o início da agenda do grupo em um dos principais pontos de encontro da folia brasiliense, consolidando o bloco na programação cultural da cidade durante o período festivo.
Para Jean Costa, presidente da Liga de Blocos Tradicionais do Distrito Federal, o papel desempenhado pelo grupo ultrapassa a dimensão festiva. “O Bloco dos Raparigueiros se consolida como o maior bloco de rua do Centro-Oeste. Culturalmente, somos a ‘embaixada do Axé’ em Brasília. Nossa estética une a grandiosidade dos carnavais de Salvador com a ocupação democrática do Esplanada (ao lado do teatro), transformando o coração da capital em um corredor de alegria que recebe centenas de milhares de pessoas de todas as regiões administrativas.”
O dirigente destaca também a preservação de práticas tradicionais do Carnaval brasileiro. “Nós mantemos um intercâmbio vivo com a Bahia, preservando a tradição do trio elétrico e do Axé Music, que são pilares do Carnaval brasileiro. Preservamos o rito da concentração, do desfile e da dispersão, garantindo que as novas gerações de brasilienses experimentem o Carnaval de rua em sua forma mais autêntica e grandiosa.”

Desafios e tradição
A manutenção de uma estrutura dessa magnitude envolve desafios que extrapolam a organização cultural e alcançam questões operacionais e financeiras. “Atualmente, os organizadores arcam com custos de infraestrutura que, em muitos grandes centros, são contrapartidas do Estado, como banheiros químicos, postos médicos e segurança privada. Defendemos que o fomento público deveria ser focado integralmente na parte artística e na geração de empregos na cadeia da cultura. Quando investimos do próprio bolso para garantir o bem-estar do folião, estamos resistindo para que o Carnaval de Brasília não perca sua força profissional”, afirma Costa.
Ele acrescenta que a trajetória do bloco foi marcada por entraves logísticos e administrativos. “A logística de trazer e licenciar o Bloco é complexa com muitas exigências com prazo curto. Além disso, a instabilidade sobre os locais de desfile e a demora na liberação de recursos e licenciamentos dificultam o planejamento a longo prazo. O Carnaval é uma indústria que precisa de previsibilidade para atrair turistas e investidores, e esse ‘timing’ entre o governo e a produção é o nosso maior gargalo hoje.”
Na avaliação do presidente da Liga, o cenário atual aponta para uma etapa de consolidação da festa popular na capital. “O momento é de maturidade. Brasília provou que tem um dos melhores Carnavais do Brasil. No entanto, para darmos o próximo passo, precisamos de uma parceria mais sólida com a iniciativa privada. O setor empresarial precisa enxergar o Carnaval não só como festa, mas como um motor econômico que lota hotéis e movimenta o comércio. Precisamos de políticas que incentivem o patrocínio direto para que o evento cresça sem depender exclusivamente do fundo público.”

Costa também observa que a expansão do número de blocos contribui para fortalecer o setor cultural, sem afetar negativamente as iniciativas tradicionais. “O surgimento de novos blocos mostra que o mercado está aquecido e que há demanda para todos os perfis de foliões. No caso do Raparigueiros, nossa tradição é nossa maior força; somos um bloco ‘âncora’ que ajuda a consolidar o DF como um destino turístico nacional”, explica.
Para Jean, o que mais fez a diferença nos últimos anos foi a eficiência operacional. “As linhas de revista e o protocolo de segurança implantados pela Secretaria de Segurança trouxeram uma nova atmosfera de paz e tranquilidade para a Esplanada dos Ministérios. Estamos celebrando a marca histórica de dois anos sem ocorrências graves, provando que é possível unir multidão com organização. O Carnaval de Brasília hoje é um dos mais seguros do país e o Raparigueiros é o maior exemplo disso”.
História
O Bloco dos Raparigueiros surgiu em 1992 com cerca de vinte integrantes e a proposta de integrar amigos em torno do espírito carnavalesco. Com o passar dos anos, a iniciativa foi ganhando adesões e simpatizantes, impulsionada pelo clima festivo, pelas brincadeiras e pela presença nas ruas da capital. Ainda que tenha começado de forma modesta, o grupo ampliou sua visibilidade e conquistou público, transformando-se em referência dentro da programação carnavalesca de Brasília.
Ao longo dessa trajetória, o crescimento se refletiu na ampliação do número de participantes e filiados, consolidando o bloco como uma das principais atrações da folia local. A organização reúne atualmente milhares de integrantes cadastrados e segue registrando novas adesões de simpatizantes, além de mobilizar multidões em suas atividades. O aumento da escala acompanha a expansão do próprio Carnaval de rua na capital federal, no qual o bloco passou a ocupar posição de destaque.
Serviço
Bloco dos Raparigueiros
Quando: domingo, 15 de fevereiro, das 16h às 00h
Onde: Esplanada dos Ministérios, Plano Piloto
Gratuito