O Projeto Sustenta Carnaval, fundado em 2022 por Mariana Pinho, recolhe e recicla fantasias descartadas pelas escolas de samba nos desfiles da Avenida Marquês de Sapucaí, visando reduzir o impacto ambiental dos resíduos têxteis.
Em seu primeiro ano, o projeto coletou 3 toneladas de resíduos. Os números cresceram nos anos seguintes: 23 toneladas em 2023, 24 toneladas em 2024 e 23 toneladas em 2025. Parceria com a Rio Carnaval e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) facilita a gestão desses materiais durante os desfiles.
Os resíduos são encaminhados para um galpão na Gamboa, no território da Pequena África, em frente ao Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira, localizado na Rua Pedro Ernesto, 67. O espaço está aberto ao público para garimpar e comprar fantasias de quarta a sexta-feira, das 14h às 19h, e aos sábados, das 10h às 19h.
Compradores incluem artistas do carnaval, moda, figurino e cenografia, que se emocionam com a oportunidade de reutilizar materiais destinados ao lixo. “A questão ambiental é como se fosse o fechamento do ciclo do enredo. Reutilizando essas fantasias, fazemos com que a receita gere emprego para as pessoas do território que fazem parte desse movimento do samba”, explica Mariana Pinho.
O figurinista Wagner Louza, com ateliê no Santo Cristo, utiliza os materiais do projeto há quatro anos para criar figurinos de carnaval e festas juninas. “O carnaval não conta somente a história do carnaval, mas também a história da nossa cultura”, afirma ele.
A figurinista Lohanne Tavares produz biquínis, hotpants e adereços a partir dos resíduos, alcançando o público jovem. Há dois anos em parceria com o projeto, ela criou um desfile sobre mudanças climáticas usando esses materiais. “Acredito que a gente consegue, através da arte, falar sobre assuntos mais complexos”, diz.