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Projeto “Meio-Dia em Ponto” leva cultura popular e inclusão à Praça Ferrock

Segunda edição de 2025 acontece neste sábado (12), com feira comunitária, atividades infantis, oficinas e shows de artistas diversos, incluindo representantes com deficiência

Aline Teixeira

11/07/2025 5h00

dança de cadeiras de rodas (street cadeirante)

Dança de cadeiras de rodas (street cadeirante). Foto: Divulação

Neste sábado (12), a Praça Ferrock, em Ceilândia, será ocupada por cultura, arte e diversidade com a segunda edição de 2025 do projeto “Meio-Dia em Ponto”. Gratuito e aberto ao público, o evento promove uma intensa programação de cultura popular e inclusão social, com feira comunitária, atividades infantis, oficina de brinquedos populares e apresentações de artistas de variados estilos — muitos deles com deficiência, reafirmando o compromisso do projeto com a acessibilidade e a representatividade.

Criado em 1996, o projeto surgiu com o objetivo de oferecer espetáculos artísticos aos trabalhadores na hora do almoço, aproveitando o intenso fluxo de pessoas no centro de Ceilândia e propondo a revitalização da Praça do Encontro, um espaço antes frequentado por diferentes tribos urbanas e que, com o tempo, foi tomado por ambulantes e automóveis. “O projeto nasceu para envolver a comunidade local e os fazedores de cultura na retomada dos espaços públicos por meio da arte. E segue vivo, quase 30 anos depois, porque sempre se conectou com as reais demandas da periferia”, explica Ari de Barros, organizador do evento.

Nesta edição, o Meio-Dia em Ponto é realizado em parceria com o Instituto de Promoção da Pessoa com Deficiência Visual (IPPCDV), fortalecendo sua missão de inclusão. A programação inclui artistas, grupos e profissionais com deficiência tanto nos palcos quanto na equipe técnica. “É uma forma concreta de valorização da autoestima, da autonomia e da potência criativa dessas pessoas, que muitas vezes enfrentam invisibilidade mesmo dentro do campo cultural”, afirma Ari.

Entre os destaques da programação, estão apresentações da cantora Naiara Fontenelle (MPB), do acordeonista Betão do Acordeon, e da banda de rock Refrão de Mármore — todos artistas com deficiência visual. Também fazem parte do line-up: Fred Speck + Passo Largo (instrumental), Orquestra Rabecas do Cerrado, Orquestra Roda de Viola, Arandu Arakuaa (metal indígena), a performance de Dança de Cadeiras de Roda (street cadeirante) e a banda veterana Vulcano, de Santos (SP), uma das pioneiras do death/black metal no Brasil.

Diálogo entre gerações

Além dos shows, o evento traz uma série de atividades que reforçam seu caráter inclusivo e formativo. A Feira de Economia Comunitária será realizada com o coletivo Mulheres Empreendedoras, enquanto a oficina de brinquedos populares, com o educador Renê Bomfim, e as brincadeiras tradicionais, com o grupo Circo Alecrim, promovem o resgate de saberes intergeracionais. “A proposta é estimular o fazer artístico, revelar talentos e fomentar o diálogo entre as gerações, criando oportunidades de renda e valorizando tradições”, reforça Ari de Barros.

A diversidade musical da programação — que vai do forró ao instrumental, passando pelo rock, pela música indígena e pelo metal extremo — também cumpre um papel fundamental no projeto: “Essa mistura de estilos aproxima diferentes públicos e valoriza a pluralidade da cultura brasileira, mostrando que não há barreiras para a arte quando ela se propõe a ser inclusiva e popular”, aponta.

Desafios e resistência cultural

De acordo com Ari de Barros, manter viva uma iniciativa como o Meio-Dia em Ponto, especialmente em um território periférico como Ceilândia, é uma conquista que exige enfrentamento constante. “A ocupação artística da Praça Ferrock com participação ativa da comunidade e o fomento à economia local são grandes desafios. Mas são também o combustível que mantém acesa a chama cultural na região”, afirma. Destacando que projetos como este só se sustentam com envolvimento coletivo e políticas públicas de cultura.

PROJETO MEIO-DIA EM PONTO
Local: Praça Ferrock (QNP 13, Área Especial – Setor P Norte, Ceilândia)
Dia: 12 de julho (sábado)
Horário: das 12h às 20h
Entrada: franca
Classificação indicativa: livre

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