A Praça dos Orixás, um dos principais espaços de referência para as culturas de matriz africana no Distrito Federal, receberá entre junho e dezembro o Circuito da Praça Afro-Candanga. A iniciativa promoverá atividades gratuitas sempre no primeiro domingo de cada mês, reunindo oficinas, apresentações artísticas, rodas de conversa e vivências voltadas à valorização dos saberes afro-brasileiros e das manifestações populares.
Realizado pelo Instituto Rosa dos Ventos em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB), o projeto busca consolidar a Praça dos Orixás como um espaço permanente de encontro, formação e circulação cultural. Reconhecido por seu significado histórico, religioso e simbólico para as comunidades de terreiro, o local será palco de ações que destacam a diversidade das tradições afro-diaspóricas presentes no Distrito Federal.
A abertura da programação acontece nesse domingo, dia 7, e terá como tema o maracatu e as tradições percussivas afro-brasileiras. As atividades começam às 10h com uma oficina de agbê ministrada pelo grupo Zenga Baque Angola. Ao meio-dia, o coletivo realiza uma apresentação aberta ao público.

Segundo a produtora do grupo, Makota Kambakassulê, a participação na Praça dos Orixás possui um significado que vai além da dimensão artística. Para ela, o espaço representa resistência, espiritualidade e preservação da memória afro-brasileira, valores que dialogam diretamente com a tradição do maracatu.
No período da tarde, às 14h, será realizada a roda de conversa “Maracatu, Terreiro e Resistência Negra”, com a participação da Mestra Joana d’Arc, de Pernambuco. A atividade propõe uma reflexão sobre a relação entre cultura popular, religiosidade e luta antirracista.
O encerramento da programação será às 15h30, com a apresentação do Maracatu Baque Mulher, movimento criado e liderado por Joana d’Arc. Reconhecida como a primeira mulher a comandar uma Nação de Maracatu de Baque Virado, a Nação Encanto do Pina, em Pernambuco, a mestra tornou-se uma das principais referências na defesa do protagonismo feminino dentro das tradições populares.
A apresentação marca também o encerramento do 9º Encontro Nacional do Movimento Baque Mulher, realizado em Brasília com a participação de representantes de mais de 39 filiais do movimento espalhadas pelo Brasil e pela Europa.

Reconhecida em 2025 como Patrimônio Vivo de Pernambuco, Joana d’Arc defende a cultura popular como instrumento de transformação social. Segundo ela, manifestações artísticas como a música, a dança e os cortejos tradicionais têm papel importante na conscientização da sociedade e na promoção dos direitos das mulheres.
Para a presidente do Instituto Rosa dos Ventos, Stéffanie Oliveira, o Circuito da Praça Afro-Candanga foi concebido para fortalecer a Praça dos Orixás como um espaço de valorização das culturas afro-brasileiras e dos saberes ancestrais preservados pelas comunidades tradicionais.
Ao longo dos próximos meses, o projeto reunirá artistas, mestres da cultura popular, lideranças comunitárias e representantes de diferentes manifestações culturais, ampliando o acesso da população a atividades formativas e apresentações gratuitas.
Programação
10h – Oficina de Agbê com o grupo Zenga Baque Angola
12h – Apresentação do grupo Zenga Baque Angola (DF)
14h – Roda de conversa “Maracatu, Terreiro e Resistência Negra”, com Mestra Joana d’Arc (PE)
15h30 – Encerramento do 9º Encontro Nacional Baque Mulher
Serviço
Circuito da Praça Afro-Candanga – Abertura
Data: de junho a dezembro, todo primeiro domingo do mês
Horário: a partir das 10h
Local: Praça dos Orixás – Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2, Brasília (DF)
Entrada: gratuita