Com 2.913 obras inscritas, o 2º Prêmio Candango de Literatura entra em sua fase decisiva: a avaliação dos trabalhos. O número representa um crescimento de 46,8% em relação à edição de estreia, que recebeu 1.985 inscrições, e confirma o prêmio, promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), como uma das mais importantes iniciativas voltadas à valorização da literatura em língua portuguesa.
“Esse crescimento não é apenas numérico, é simbólico: mostra que a palavra escrita continua sendo uma poderosa ferramenta de identidade, memória e transformação social”, destaca o secretário de Cultura do DF, Claudio Abrantes. Para ele, a ampla adesão de autores do Brasil e do exterior confirma o lugar de destaque que o prêmio passou a ocupar no circuito literário lusófono.
Presença internacional se fortalece
Se em 2022 o prêmio alcançou nove países, nesta edição chegou a 20. Do total de inscrições, 2.605 são brasileiras, abrangendo todas as unidades da federação. O destaque, no entanto, é o aumento expressivo da participação internacional: Portugal passou de 20 para 93 inscrições (alta de 365%); Angola, de 15 para 50 (233%); Moçambique, de 11 para 28 (154%); e Cabo Verde, de 7 para 14 (100%). São Tomé e Príncipe, pela primeira vez, também está representado, com duas obras.
Além dos países lusófonos, o prêmio recebeu inscrições de autores residentes em outras partes do mundo, como África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Japão, Líbano, Reino Unido e Suíça. O dado evidencia o papel da premiação como vitrine para escritores em diáspora que escrevem em português.
Alta procura em todas as categorias
As sete categorias do prêmio tiveram ampla adesão: Poesia (909 inscrições), Romance (656), Capa (466), Contos (444), Projeto Gráfico (211), Prêmio Brasília (134) e Iniciativa de Leitura (93). Esta última reconhece ações pedagógicas de incentivo à leitura, enquanto o Prêmio Brasília contempla autores nascidos ou residentes no Distrito Federal.
Outro destaque está na diversidade do perfil dos participantes: 1.639 se identificam como do gênero masculino, 1.022 como feminino, 188 como não-binários e 64 preferiram não informar. Além disso, 47 inscrições foram feitas por menores de 18 anos, o que sinaliza um engajamento promissor das novas gerações.
Sobre o tipo de publicação, 85% das obras foram inscritas por editoras e 15% por autores independentes, mostrando que há espaço para diferentes formatos de produção e circulação literária.
Avaliação e premiação
A curadoria da segunda edição é do escritor João Anzanello Carrascoza. Já a seleção das obras será conduzida por um corpo técnico de 45 jurados – 30 na etapa inicial e 15 na fase final. A coordenação está a cargo do jornalista e escritor Maurício Melo Júnior. Os nomes dos jurados só serão divulgados após a premiação, como forma de preservar a lisura do processo.
A lista dos dez finalistas de cada categoria será divulgada em setembro, e a cerimônia de premiação ocorrerá em 31 de outubro, na Sala Martins Pena, do Teatro Nacional Claudio Santoro — o mesmo espaço que sediou o lançamento oficial do prêmio, em 9 de maio.
R$ 195 mil em premiações
Os vencedores dividirão um total de R$ 195 mil, distribuídos em três eixos:
- Literário: Melhor Romance, Contos, Poesia e Prêmio Brasília (R$ 140 mil no total);
- Editorial: Melhor Capa e Projeto Gráfico (R$ 20 mil cada);
- Iniciativas Pedagógicas: Incentivo à Leitura (R$ 15 mil).
Como contrapartida, os vencedores das categorias literárias e editoriais deverão doar 20 exemplares de suas obras a bibliotecas públicas do DF. Já os premiados no eixo pedagógico deverão realizar uma atividade formativa online com duração mínima de quatro horas.
Com seu alcance ampliado e diversidade crescente, o Prêmio Candango de Literatura se afirma como um importante instrumento de valorização da cultura escrita em português, celebrando talentos e promovendo o acesso à literatura de forma plural e democrática.
Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa