Valorizar, visibilizar e integrar as culturas africanas ao cenário cultural do Distrito Federal é o eixo central do Festival Chakula Kizuri, que acontece amanhã, no Centro Cultural Desportivo da Ceilândia. Com entrada gratuita e programação aberta a todos os públicos, o evento propõe uma ocupação cultural que articula arte, música e culinária como ferramentas de enfrentamento à sub-representação histórica das culturas africanas e afrodescendentes nas políticas culturais da região.
A iniciativa nasce da percepção de que, apesar da presença expressiva de comunidades africanas e afrodescendentes no DF, suas expressões culturais seguem pouco visíveis e, muitas vezes, tratadas de forma genérica. Nesse contexto, o festival se estrutura como um espaço de convivência, aprendizado e intercâmbio, reunindo oficinas formativas de culinária africana, uma feira temática e apresentações artísticas que dialogam com diferentes matrizes da diáspora africana.
“A ideia do Festival Chakula Kizuri surge a partir da constatação da baixa visibilidade das culturas africanas no cenário cultural do Distrito Federal”, afirma o idealizador Eduardo dos Santos, ao destacar que a proposta busca reconhecer africanos e afrodescendentes como produtores de conhecimento, arte e economia criativa, rompendo com leituras folclorizadas ou reduzidas dessas culturas.
Um dos pilares do evento é a Feira Afrosabores, que contará com 20 estandes dedicados à cultura e à gastronomia africana. A culinária, aliás, ocupa um lugar simbólico na concepção do festival. O nome Chakula Kizuri, expressão em suaíli que significa “comida boa”, reflete a escolha da gastronomia como ponto de partida para acessar memória, ancestralidade e identidade. No festival, o alimento é apresentado não apenas como consumo, mas como expressão de história, afeto e resistência, capaz de articular experiências culturais mais amplas.


A programação artística reúne nomes que transitam entre diferentes linguagens e ritmos, como a DJ Negritah, o grupo Samba da Guariba, a banda de percussão africana Danda Muxima e os artistas Rich, Kelvindon, Parker e Big Nel. “As apresentações visam promover uma experiência sonora e estética que atravessa ritmos tradicionais, música urbana e expressões afro-diaspóricas, reforçando os laços entre África e Brasil”, ressalta Eduardo.
A escolha de Ceilândia como sede do festival também carrega um significado político e simbólico. A região, marcada por forte presença negra, produção cultural popular e trajetórias de resistência, é reconhecida como território central para a cultura do Distrito Federal. Ao ocupar esse espaço, o Chakula Kizuri reforça a descentralização das ações culturais e valoriza as periferias como polos de criação e circulação de saberes.
Além das apresentações e da feira, o festival aposta em ações formativas e educativas como estratégia de intercâmbio direto entre culturas africanas contemporâneas e expressões afro-brasileiras. Workshops conduzidos por pessoas de países africanos, atividades gastronômicas e encontros com artistas e mestres tradicionais criam um ambiente de diálogo vivo, que evidencia continuidades históricas, estéticas e simbólicas entre África e Brasil.
No campo da acessibilidade, o evento contará com estrutura pensada para garantir a participação de diferentes públicos, incluindo espaço amplo e acessível, banheiros adaptados, ponto de acessibilidade, intérprete de Libras e audiodescrição.
O Festival Chakula Kizuri é uma realização do Instituto Meninos de Ceilândia, com produção do Coletivo Unindo Tribos, e conta com apoio da Secretaria de Justiça e Cidadania (SEJUS), Fórum do Rock, Fundação Cultural Palmares e Ministério da Cultura/Governo do Brasil.
Serviço
Festival Chakula Kizuri realiza grande evento da cultura africana em janeiro no Distrito Federal
Quando: 10 de janeiro, das 15h às 17h
Onde: Centro Cultural Desportivo da Ceilândia/DF
Inscrições pelo link
Entrada gratuita