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Concerto, álbum e simpósio em homenagem a Tullio Tavares

Centenário de pianista movimenta universo da música na capital do país

Redação Jornal de Brasília

11/05/2023 17h40

O projeto “Tullio Tavares, 100 anos – obras para piano” movimenta o universo da música, em Brasília, entre 30 de maio e 02 de junho. Na ocasião da comemoração do centenário do pianista, concertista e compositor Tullio Tavares, serão realizados um grande concerto na Casa Thomas Jefferson Hall (CTJ Hall) e o lançamento de um álbum comemorativo, acompanhado de um minidoc sobre sua produção. A celebração do marco foi adiada por dois anos, devido à pandemia. Em compensação, o tempo possibilitou a soma de novos elementos ao projeto, como a entrada de mais artistas e a realização de um simpósio na Universidade de Brasília (UnB) sobre a obra do musicista.

Nascido em 1921 em Natal (RN), Tullio Tavares era músico reconhecido ao chegar a Brasília em 1970. Na verdade, já contavam quase 50 anos desde sua estreia como concertista, aos 11 anos. Deixou uma obra musical que inclui canções, valsas, sambas e choros, peças para piano, violino, violoncelo e música de câmara. Além de concertista, ele também impressionou como compositor e deixou como legado uma produção carregada de versatilidade, onde se destaca a capacidade de transitar livremente entre vários estilos musicais.

Com Brasília, onde permaneceu até sua morte, em 1995, desenvolveu uma relação especial, colhendo admiração tanto como advogado, profissão que exerceu desde o final dos anos 40, quanto como músico. Por aqui, teve a oportunidade de se reaproximar de um de seus estilos musicais preferidos, o brasileiríssimo choro. Participava dos encontros do que já nessa época se chamava “Clube do Choro” e se tornou amigo de grandes artistas vinculados ao grupo, como Avena de Castro e Arnoldo Velloso. Tullio estudava música diariamente, num exercício de eterno encantamento e produziu até quando sua saúde permitiu.

“Meu pai foi sempre uma grande inspiração para mim: na sua profunda paixão pela música, a qual ele manteve até o fim da vida; na sua disciplina, ao chegar em casa após trabalhar durante todo o dia e se sentar ao piano para estudar; na sua extraordinária capacidade de tocar e compor em uma variedade de estilos, o que o possibilitava não só me acompanhar, primorosamente, em uma sonata de Beethoven, mas me dar dicas que até hoje uso quando componho ou faço arranjos; e em tantas outras coisas que me influenciaram para eu ser a pessoa e o músico que sou hoje. Infelizmente, ele faleceu muito cedo, e sinto muitas saudades dele. Mas ficaram as memórias, os ensinamentos, e essa obra maravilhosa que este projeto está me permitindo dividir com mais pessoas”, afirma o violoncelista Gustavo Tavares, filho do homenageado e guardião de sua obra.

O concerto

Como convém a uma ocasião especial, Gustavo Tavares, no papel de curador, produtor, e principalmente, responsável pelo legado do pai, preparou uma grande noite para festejar o centenário de nascimento de Tullio Tavares. Para marcar a data, a moderna sala de concertos e espetáculos da Casa Thomas Jefferson receberá, dentro da série “Sextas Musicais”, um programa composto de 18 peças para piano, uma amostra do talento e versatilidade do homenageado também eternizada no álbum “Tullio Tavares, 100 anos – obras para piano”.

O repertório, que vai do erudito ao popular, e contempla valsas, sambas, noturnos, seresta e uma canção de ninar (berceuse), será executado por renomados pianistas brasilienses: Suzi Magalhães, Marília de Alexandria, Daniel Tarquino, Luiza Aquino e Iara Gomes.

“Uma honra para mim ter sido convidada para participar deste projeto. As obras são lindas e de uma poesia particular. As valsas lembram a seresta com melodias bem elaboradas. A Berceuse em tonalidade menor tem a paisagem escura e transmite o clima de canção de ninar. A grande valsa é virtuosística, grandiosa e remete às grandes valsas de salão. Foi um prazer gravar Tullio Tavares”, elogia Suzi Magalhães.

Na plateia, familiares, amigos, convidados, pessoal do circuito musical e público apreciador da boa música. Como dizem no universo musical, um momento de puro deleite. A entrada será gratuita, respeitando-se a lotação da sala de 208 lugares.

Para quem não puder estar presente, será possível acompanhar a apresentação, ao vivo, pelo canal do YouTube da Casa Thomas Jefferson. A transmissão de alta qualidade garante alta fidelidade de som, imagens e iluminação.

O álbum

Voltado para a preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Imaterial de Brasília, o projeto foi realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal e resgata 18 obras musicais selecionadas a partir da curadoria de Gustavo Tavares. Além do laço familiar e sentimental, o amor à música que compartilhava com o pai inspirou Gustavo na homenagem. Doutor em Música, violoncelo-solista da Ópera Nacional da Noruega, fundador e primeiro violoncelo da Orquestra do Teatro Nacional, com o saudoso maestro Cláudio Santoro, ele convidou cinco notáveis pianistas residentes em Brasília para executar o repertório: Daniel Tarquinio, Suzi Magalhães, Luiza Aquino, Marília de Alexandria e Felipe Viegas.

“A preparação, execução e gravação das obras para piano de Túlio Tavares se revelou uma surpreendente e enriquecedora imersão na arte pianística de Brasília e do Brasil, através de composições muito elaboradas, expressivas e que revelam um pianismo de alto nível. Me sinto muito grato em participar desse projeto”, atesta o pianista Daniel Tarquinio.

Na gravação realizada no auditório da Casa Thomas Jefferson, os pianistas tocaram em um magnífico piano Steinway and Sons, Modelo D. Os trabalhos técnicos ficaram a cargo do engenheiro de som Vadim Arsky, e, a masterização, da Orbis Estúdio. A produção executiva, que envolveu a edição musical e legalização de Direitos Autorais de todos os músicos, foi assinada pela GRV Música, Media e Entretenimento.

No decorrer das gravações, uma equipe fez captação para a edição de um minidocumentário que estará acessível no site e plataformas do projeto. Nele, além da música, haverá depoimentos de Gustavo, dos artistas e profissionais participantes do projeto.

“Tullio Tavares, 100 anos – obras para piano”, que será disponibilizado nas plataformas de streaming, envolve, ainda, a produção de cópias do álbum em formato CD que serão destinadas, gratuitamente, a escolas, conservatórios, bibliotecas públicas do Distrito Federal, institutos, universidades e orquestras de relevância nacional e internacional. Parceiros do projeto, como o Instituto Piano Brasileiro, compartilharão o conteúdo em suas plataformas com o objetivo de difundir ao máximo este patrimônio cultural.

Material complementar sobre o artista e sua obra poderá ser acessado através do site www.tavaresmusica.org

O Simpósio

Em 30 e 31 de maio acontecerá na UnB o simpósio “Mobilidade e Trânsitos: Historiografia das Músicas do DF a Propósito de Tullio Tavares”, organizado pela professora Beatriz Magalhães Castro. Com previsão para acontecer duas vezes por semestre, esta 1ª edição do Simpósio será dedicada à obra do pianista e compositor, Tullio Tavares.

“Músico talentoso, Tullio Tavares transitou de forma muito interessante entre o popular e o erudito, e sua obra nos ajuda a compreender como essas áreas não são isoladas e que podem, sim, se comunicar, e como se comunicam, de fato. Essa questão vai ao encontro de uma das abordagens que tratamos na musicologia, que é não deixar criar essa barreira entre esses dois caminhos, afinal de contas a música é uma linguagem que vai além desses limites. Os autores exercitam a criatividade através de ideias, influências e conceitos musicais diversos que, não necessariamente, restringem-se a um estilo: estão em trânsito e mobilidade, bem como demonstra a importante obra de Tullio Tavares”, contextualiza Beatriz.

Voltado, principalmente, para o meio acadêmico, o evento faz parte de um projeto de extensão em parceria com Gustavo Tavares, e incluirá em sua programação recitais comentados dos pianistas que participam do concerto final na Casa Thomas Jefferson, além de palestras, uma delas proferida por Gustavo Tavares. O objetivo do simpósio, como explica Beatriz, é o de avançar nos estudos de uma historiografia musical de Brasília, contribuindo, inclusive, para a geração de conteúdo a ser tratado na disciplina de pós-graduação do departamento de Música da UNB, Música e Historiografia. Os trabalhos produzidos e os documentos mapeados serão incluídos num repositório historiográfico de acesso livre à comunidade interessada.

Sobre Tullio Tavares

Nascido em 1921, de família de musicistas, o potiguar Tullio Tavares fez seu primeiro concerto aos 11 anos. Ao se diplomar como pianista no Conservatório de Natal, já rodava as capitais do Nordeste se apresentando em recitais de piano, como solista ou camerista, e ainda adolescente teve até uma peça de teatro musicada por ele encenada no Teatro Carlos Gomes (o mais importante teatro da cidade, hoje Teatro Alberto Maranhão).

Um marcador muito importante de sua trajetória se deu por volta dos 16 anos, quando se mudou para o Recife e teve contato com os membros da Jazz Band Acadêmica e Orquestra da Rádio. Foi quando começou a se destacar como compositor e concertista versátil, indo além do erudito e flertando com o popular.

Nos anos 40, o serviço militar o levou para o Rio de Janeiro, e ele mais uma vez encontrou o caminho para a música, mais precisamente no Theatro Municipal, onde atuou como “Maestro Ensaiador” do Corpo de Baile. Sempre aplicado, lançou-se a mais uma graduação e se formou em Direito. Foi para São Paulo trabalhar como advogado, e tratou de interagir com um grupo de músicos e poetas, entre eles Inezita Barroso e Paulo Vanzolini, que se tornaram amigos e parceiros musicais. Sua vida ganhou um novo tom em 1956, quando se casou com Maria Celi Neiva Tavares. Tiveram três filhos: Ricardo, Cristina e Gustavo.

De volta ao Rio de Janeiro no início dos anos 60, trabalhou no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Sempre mantendo a advocacia e a música como atividades paralelas, mudou-se para Brasília em 1970, integrando o Ministério do Trabalho e da Previdência Social e, depois, a Siderurgia Brasileira (Siderbras). Mais uma vez foi ao encontro da música, convivendo e colaborando com os artistas do Clube do Choro de Brasília. Foi agraciado por suas atividades como advogado em 1973 com a “Ordem do Mérito do Trabalho”.

Compôs em parceria, entre outros, com Paulo Vanzolini, e foi gravado por artistas como Inezita Barroso, Marluze Romano, pelo violonista Nelson Faria e pelo próprio filho Gustavo Tavares.

Faleceu em Brasília em 1995, aos 74 anos.

Serviço:

  • CONCERTO
  • “Tullio Tavares, 100 anos – obras para piano”.
  • 02 de junho, às 20 horas
  • CTJ-HALL-Casa Thomas Jefferson (SEPS 706/906)
  • Entrada franca (respeitando-se a capacidade do lugar para 208 pessoas)
  • Classificação livre
  • O concerto será transmitido, ao vivo, pelo canal do YouTube da Casa Thomas Jefferson, com alta fidelidade de som, imagens e iluminação
  • ÁLBUM
  • “Tullio Tavares, 100 anos – obras para piano”
  • A partir de 02 de junho
  • Pre-save: Álbum
  • Para mais informações: www.tavaresmusica.org
  • SIMPÓSIO
  • I Simpósio Mobilidade e Trânsitos: historiografia das músicas do DF a propósito de Tullio Tavares (1921-1995)
  • 30 e 31 de maio
  • Local: UnB
  • Mais informações: caminhosdamusicologia@gmail.com

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