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Cerrado Jazz celebra 11 anos com homenagem a César Camargo Mariano

Festival chega à sétima edição nos dias 9 e 10, com programação gratuita na CAIXA Cultural, reunindo Sandra de Sá, Metá Metá, Tatiana Parra, artistas locais e ações para diferentes públicos

Aline Teixeira

09/10/2026 5h00

Atualizada 08/10/2026 23h13

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Foto: Divulgação

O Cerrado Jazz Festival chega à sétima edição neste fim de semana com uma programação que aposta no encontro entre diferentes gerações, estilos e trajetórias da música brasileira. A programação gratuita ocupa o Estacionamento da CAIXA Cultural Brasília e tem como principal destaque a homenagem ao pianista, arranjador, compositor e produtor César Camargo Mariano, um dos nomes mais importantes da música instrumental brasileira.

Ao lado do homenageado, o festival reúne artistas como Sandra de Sá, Metá Metá, Tatiana Parra & Vardan Ovsepian, Claudia Castelo Branco Trio com Pablo Fagundes e Adil Silva Orquestra Noneto. A programação também inclui o Cerradinho Jazz, voltado para crianças e famílias, workshops, feira criativa e gastronomia.

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Banda Metá Metá. Foto: Fernando Eduardo

Criado em 2015, o festival completa 11 anos de trajetória mantendo uma proposta que, segundo a idealizadora e diretora-geral Lorena Oliveira, continua sendo o ponto de partida do projeto: transformar a música em espaço de encontro.

“O Cerrado Jazz amadureceu muito nesses 11 anos. O festival cresceu, ampliou sua programação, incorporou ações formativas, atividades para crianças, economia criativa, acessibilidade e passou a pensar cada vez mais a experiência do público como um todo. Mas existe algo que permanece desde o início, que é a nossa essência: a música como lugar de encontro”, afirma.

Segundo Lorena, a ideia sempre foi aproximar não apenas artistas e público, mas também diferentes territórios e gerações. “O Cerrado Jazz nasceu com esse desejo de aproximar pessoas, artistas, territórios e gerações. E também de olhar para o jazz de uma maneira muito brasileira, entendendo que ele dialoga profundamente com a nossa música instrumental, com o samba, com a música afro-brasileira, com a improvisação e com toda a diversidade sonora que existe no país.”

César Camargo Mariano é o grande homenageado

A escolha de César Camargo Mariano como homenageado da edição representa, para a organização, a possibilidade de celebrar uma trajetória que atravessa décadas e ajudou a transformar a música brasileira. O pianista trabalhou com nomes como Elis Regina, Tom Jobim, Chico Buarque, Gal Costa, Ivan Lins e João Bosco e participou de trabalhos marcantes da música brasileira, entre eles o histórico álbum “Elis & Tom”.

Para Lorena, receber César no festival também concretiza um desejo antigo. “Trazer o César Camargo Mariano para o Cerrado Jazz é um sonho antigo do festival, e nesta edição a gente finalmente consegue concretizá-lo”, conta.

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Foto: Divulgação

“Para quem conhece a trajetória do César e a dimensão de tudo o que ele fez pela música brasileira e também pela música mundial, sabe que estamos falando de um artista que representa um antes e um depois na nossa música”, afirma.

A diretora-geral destaca ainda a atuação do músico para além do piano. “Além de um pianista extraordinário, César é compositor, arranjador e produtor. Grande parte da música brasileira que a gente admira e reconhece pela sua sofisticação, de alguma maneira, dialoga com o trabalho que ele desenvolveu ao longo de décadas.”

Na sexta-feira (9), César Camargo Mariano se apresenta ao lado de André Vasconcelos, depois da abertura com Adil Silva Orquestra Noneto. A noite termina com o show do Metá Metá.

Natural de Pernambuco e radicado em Brasília, Adil Silva leva ao palco um noneto formado por nove músicos, com repertório que transita pelo choro, pela bossa nova, pelo jazz e pela música instrumental contemporânea. Já o Metá Metá, formado por Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França, apresenta uma sonoridade marcada pelo encontro entre referências afro-brasileiras, jazz, rock e experimentação.

Programação pensada como encontro

A diversidade da programação não é, segundo Lorena, resultado apenas da reunião de nomes de estilos distintos. A proposta foi construir uma narrativa em que artistas de diferentes gerações pudessem dialogar entre si.

“A curadoria foi construída exatamente a partir da ideia de encontro. Quando você olha para a programação, percebe artistas com trajetórias, gerações e universos musicais muito diferentes, mas existem fios que conectam todos eles”, explica.

A programação de sábado (10), amplia esse diálogo. Claudia Castelo Branco Trio convida o harmonicista Pablo Fagundes para uma apresentação baseada no projeto “Piano Brasileiro”, resultado de duas décadas de pesquisa da pianista sobre as raízes e os ritmos da música brasileira.

Ao lado de Diego Zangado, na bateria e percussão, e João Faria, no contrabaixo, Claudia explora as possibilidades percussivas e orquestrais do piano, que pode assumir referências de instrumentos como tambor, sanfona e rabeca. Pablo Fagundes completa o encontro com a harmônica em um repertório aberto à improvisação, ao choro, ao jazz, ao blues e a outras vertentes da música brasileira.

Na sequência, Tatiana Parra e o pianista e compositor armênio Vardan Ovsepian fazem sua primeira performance no Brasil. Com mais de uma década de parceria, os dois desenvolveram um trabalho que aproxima música brasileira, jazz, tradição clássica e música armênia. No festival, apresentam o repertório do álbum “The Flight of the Hidden Heart”, gravado em janeiro de 2026, em Los Angeles, além de trabalhos dos discos “Lighthouse”, “Hand in Hand” e “Triptych”.

Sandra de Sá encerra a programação musical. Com uma carreira marcada pelo soul, funk, samba e pela música negra brasileira, a cantora representa, para a organização, mais uma conexão entre diferentes períodos e linguagens da música nacional.

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Foto: Divulgação

“Temos César Camargo Mariano, que é uma referência fundamental da música brasileira; Sandra de Sá, com toda a força da música negra brasileira, do soul, do samba e do funk; o Metá Metá, trazendo uma linguagem contemporânea, experimental e profundamente conectada às matrizes afro-brasileiras; Tatiana Parra e Vardan Ovsepian, com um trabalho de enorme sofisticação musical; e também artistas de Brasília, fortalecendo essa conexão entre a produção local, nacional e internacional”, destaca Lorena.

A ideia, segundo ela, era ir além da lógica de simplesmente reunir grandes atrações. “A gente não queria construir uma programação simplesmente colocando grandes nomes lado a lado. Queríamos criar uma narrativa. Mostrar que a música brasileira está permanentemente se transformando, mas que existem raízes, influências e diálogos que atravessam as gerações.”

Ela resume o resultado esperado pelo público: “Talvez essa seja uma das coisas mais bonitas desta edição: você pode chegar ao festival atraído por um artista que já conhece e sair de lá apaixonado por uma música ou por um artista que nunca tinha escutado antes.”

Festival vai além dos shows

A proposta do Cerrado Jazz também se estende às atividades que acontecem antes e depois das apresentações. Em 2026, o Cerradinho Jazz volta a integrar a programação com atividades voltadas para crianças e famílias, enquanto os workshops mantêm o caráter formativo do projeto, aproximando artistas, estudantes, músicos e público.

A feira criativa e a gastronomia completam a experiência. Para Lorena, a intenção é que o público não trate o festival apenas como uma sequência de shows.

“Para nós, um festival não começa quando o artista sobe ao palco e não termina quando o show acaba. A experiência cultural é muito mais ampla”, afirma.

“Queremos que as pessoas cheguem cedo, ocupem o espaço, encontrem amigos, levem seus filhos, conheçam novos artistas, conversem, experimentem sabores e permaneçam ali. O Cerrado Jazz quer ser esse lugar de convivência.”

A diretora-geral também destaca que a ocupação do espaço público faz parte da identidade do festival. “Brasília tem uma relação muito particular com seus espaços. É uma cidade monumental, com áreas abertas incríveis, mas nem sempre esses espaços são vividos pelas pessoas como lugares de convivência e pertencimento. E acredito que a cultura tem uma capacidade enorme de transformar essa relação.”

Ao ocupar gratuitamente a área externa da CAIXA Cultural, o festival busca ampliar o acesso à programação e receber públicos diversos. “A gratuidade é fundamental para nós porque acesso à cultura não pode ser apenas uma ideia. Ele precisa acontecer concretamente. Isso significa pensar também em acessibilidade, em crianças, em diferentes públicos e em criar condições para que mais pessoas possam estar presentes.”

Entre as medidas previstas estão interpretação em Libras, audiodescrição, transporte acessível e espaço reservado para pessoas com deficiência (PCDs), além de ações de sustentabilidade, como coleta e destinação adequada de resíduos, incentivo à reciclagem e arrecadação de alimentos.

Depois de 11 anos, Lorena afirma que a missão permanece ligada à construção de uma cidade mais conectada pela cultura. “Depois de 11 anos, talvez esse seja um dos maiores desejos do Cerrado Jazz: contribuir para uma Brasília em que a cultura esteja cada vez mais próxima das pessoas e em que as pessoas se reconheçam como parte da vida cultural da cidade.”

“Porque uma cidade não é feita apenas de prédios e monumentos. Uma cidade também é feita dos encontros que acontecem dentro dela.”

Programação musical

9 de outubro – sexta-feira

20h – Adil Silva Orquestra Noneto
21h30 – César Camargo Mariano convida André Vasconcelos
23h30 – Metá Metá

10 de outubro – sábado

20h – Claudia Castelo Branco Trio convida Pablo Fagundes
21h30 – Tatiana Parra & Vardan Ovsepian
23h30 – Sandra de Sá

Serviço
Cerrado Jazz Festival 2026
Datas: 9 e 10 de outubro
Local: Estacionamento da CAIXA Cultural Brasília
Entrada: gratuita

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