O bloco Batuqueiras MAIS fará sua estreia no Carnaval do Distrito Federal, desfilando pela primeira vez na Praça do Bosque, na Candangolândia, no dia 23 de fevereiro. “Queremos mostrar que todas nós podemos ser artistas. Que, independentemente de onde viemos ou do que sabemos, sempre podemos aprender algo novo. Queremos lembrar que podemos ser afeto, que o Carnaval é nosso também, que é uma festa do povo, das ruas e das brincantes”, afirma Carol Cortez, diretora-executiva do projeto.
Celebrando a união e a diversidade, o Batuqueiras MAIS é um grupo percussivo formado por mulheres musicistas, brincantes e pesquisadoras da cultura popular brasileira e africana, com uma trajetória de dez anos. Surgiu com o propósito de fortalecer a representatividade feminina na música e na cultura popular, e agora se expande para acolher pessoas LBTQIA+ (lésbicas, bissexuais, trans, não binárias e travestis), celebrando a diversidade de corpos, expressões e histórias.

A diretora Carol Cortez explica que “o Batuqueiras MAIS vem para reafirmar que, na nossa diversidade, temos o direito e a força de ocupar a festa, expressar nossas identidades e compartilhar esta alegria”. O projeto busca transmitir música percussiva envolvente e pulsante, misturando diversas tradições e promovendo o resgate da ancestralidade africana por meio de sua forma musical autêntica.
Com um grupo de cerca de 20 integrantes, que inclui participantes dos workshops realizados na Candangolândia com apoio da Administração Regional, o Batuqueiras MAIS promove intervenções musicais, rodas de conversa, musicalização infantil e iniciação rítmica. A oficina do projeto, que aconteceu ao longo de oito encontros, totalizando 24 horas de formação, criou um ambiente acolhedor e acessível, permitindo que novos integrantes se conectassem à prática da percussão e à cultura popular.
O repertório do bloco mescla ritmos tradicionais, como maracatu, coco, ijexá e samba reggae, com influências modernas e carnavalescas. As apresentações celebram a riqueza da cultura brasileira e fortalecem a visibilidade de mulheres e pessoas LBT+. O desfile contará com a participação especial da DJ convidada, da banda Batuqueiras e das percussionistas formadas nas oficinas, além de uma colaboração especial com o Bloco Ase Dudu.

Alegria de carnaval
Com o objetivo de resgatar a essência do carnaval de rua, o Batuqueiras MAIS promete levar ao público, em 2025, a vibração dos tambores acústicos e a celebração da diversidade. Para Tay Estrela, diretora musical e regente, a mensagem do bloco é de alegria, afeto e valorização do patrimônio imaterial brasileiro, difundido pelo mundo. “Vamos transmitir a sensação da brincadeira ‘raiz’ no carnaval, com o som acústico dos tambores na rua, a diversidade de corpos e afetos, de alegria e festejo”, explica.
Fernanda Rosa, fundadora do bloco, reforça o espírito de acolhimento e empoderamento, destacando o Batuqueiras MAIS como um espaço de resistência e protagonismo. “É chegar mesmo, quanto mais, melhor! Nosso bloco tem acolhimento, empoderamento, igualdade, diversidade, participação, protagonismo, solidariedade, liberdade e resistência. Queremos que cada pessoa que nos veja sinta essa força coletiva e essa energia transformadora do carnaval”, afirma.
Sonhos e batuques
No ritmo da percussão, a força e a resistência de mulheres que transformam batuques em voz e história. Para Tay Estrela, o tambor foi refúgio e força em momentos desafiadores, sendo uma cura interna que impulsionou a criação das Batuqueiras como um espaço de aprendizado e compartilhamento.
Fernanda Rosa, fundadora, vê na música uma jornada de autoconhecimento e transformação coletiva, inspirando mulheres a ocupar espaços historicamente masculinos. “Nosso movimento precisa ganhar força, resistir e trabalhar para garantir o protagonismo feminino na arte”, afirma. Em um mundo que tantas vezes exige silêncios, a batida do tambor ecoa como grito e resistência, um ato de conexão ancestral e afirmação cultural.
Fazer arte independente no Distrito Federal é um desafio constante, e o bloco Batuqueiras MAIS é uma prova viva disso. Sem patrocínios e sustentado pelo esforço voluntário de seus membros, o grupo enfrentou barreiras financeiras, logísticas e institucionais para levar seu projeto para as ruas. “Somos mães solo, atuamos em mais de uma profissão e dedicamos nossos domingos voluntariamente desde novembro de 2024 para montar esse bloco”, compartilha Tay Estrela.
Carol Cortez aponta que a falta de recursos foi o maior obstáculo. “Nosso investimento foi além do financeiro, foi de tempo. O cansaço bate, mas seguimos firmes”, diz. Já Fernanda Rosa critica a falta de apoio institucional. “O boicote e a incoerência da Secretaria de Cultura do Distrito Federal desvalorizam nosso trabalho sócio-cultural e diverso na elaboração, projeto e competência na prestação de contas e serviços”, completa.
Serviço:
Bloco Batuqueira Mais
Data: Sábado, 23 de fevereiro de 2025
Local: Praça do Bosque, Candangolândia-DF
Programação:
14H Abertura
15h DJ Loly
15h30 Grupo Percussivo Batuqueiras
16h30 DJ Loly
17h Ase Dudu
18h Encerramento
Redes Sociais:
Instagram: @batuqueiras
Youtube: youtube.com/@batuqueirasdf5114