Neste sábado (24), a Feira do Guará recebe o projeto As Brasileiras, idealizado pela cantora e instrumentista Kika Ribeiro, que propõe celebrar o empoderamento feminino e a pluralidade das vozes das mulheres brasileiras por meio da música. A iniciativa, realizada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), homenageia grandes cantoras da capital federal e do país.
O projeto embala o pré-carnaval brasiliense com shows nos dias 24 e 25, das 12h às 16h, na Feira do Guará, e também nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, das 16h às 20h, no Taguaparque (DF-001 – Pistão Norte). A entrada é gratuita e livre para todos os públicos. Mais informações estão disponíveis no Instagram: @as.brasileiras.festival.
Ao lado de Kika Ribeiro, as cantoras Mirian Marques, Cris Alves, Dani Ribeiro e Haila Ticiany prometem animar o público em uma homenagem que reúne músicas autorais e clássicos interpretados por grandes cantoras brasileiras. Kika estará acompanhada por Pati Barcellos (cavaco), Rebeca Martins (pandeiro e caixa), Letícia Monielly (tantan e backing vocal), Fio de Castro (surdo), Marcelo Santos (atabaques), Augusto Contreras (violão) e Tiago Almeida (violão).

“O nome As Brasileiras carrega um significado profundo ligado ao empoderamento feminino. Ele reforça a ideia de coletividade, diversidade e força compartilhada, destacando mulheres como protagonistas da cena cultural e artística. O nome afirma presença, identidade e pertencimento, valorizando o papel das mulheres na construção da cultura brasileira”, explica Kika.
A artista, que mescla samba, música de terreiro, MPB e outros ritmos, apresenta composições autorais como “Me Deixa no Samba”, “Morena”, “Eterno Amor” e “Negra de Fé”. O repertório também traz homenagens a nomes como Clara Nunes, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara e Alcione. “Vou cantar Clara Nunes, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Alcione… e segue o baile”, celebra.
Empoderamento em pauta
O projeto nasce a partir de uma inquietação pessoal e coletiva da artista. “Como mulher, sambista e artista que circula há anos pelo carnaval e pela cena musical, sempre percebi o quanto nós, mulheres, ainda somos sub-representadas nos palcos, nas decisões e nos espaços de protagonismo, mesmo sendo a base criativa, afetiva e histórica dessa cultura”, afirma Kika.
Para ela, o carnaval é um território popular, político e simbólico. “Ele amplifica vozes. Trazer o empoderamento feminino para esse contexto é afirmar que mulheres não são apenas musas ou intérpretes ocasionais, mas criadoras, líderes, compositoras e agentes culturais. O projeto é um gesto de celebração, mas também de reposicionamento.”
Entre gerações e referências
O repertório foi pensado como um diálogo entre gerações. “As músicas autorais partem das nossas vivências enquanto mulheres hoje — nossas dores, alegrias, resistências e afetos. Já as homenagens vêm de cantoras que abriram caminhos, muitas vezes enfrentando machismo, racismo e apagamentos para que hoje pudéssemos ocupar o palco com mais liberdade”, explica.
Segundo Kika, o projeto busca destacar o legado da coragem, da identidade e da força estética dessas artistas. “Não é uma homenagem nostálgica, mas viva: cantar essas referências é reafirmar que a história da música brasileira também foi escrita por vozes femininas potentes.”
Pluralidade no palco
A diversidade de trajetórias e estilos é um dos pilares do As Brasileiras. “Não existe uma única forma de ser mulher, de cantar ou de fazer música. Reunir artistas com corpos, referências e histórias distintas é um posicionamento político e artístico. Essa pluralidade rompe estereótipos e amplia a escuta do público”, diz.
Ela completa: “Quando diferentes vozes coexistem no mesmo palco, mostramos que a música brasileira feminina é múltipla, complexa e rica. E essa diversidade não fragmenta — ela fortalece.”
Impacto cultural
Além da celebração, o projeto carrega uma mensagem política e cultural. “Espero que o As Brasileiras provoque identificação, reflexão e movimento. Que o público se reconheça, se emocione e saia tocado pela força dessas vozes”, afirma Kika.
Na cena cultural de Brasília, a expectativa é ampliar espaços para mulheres e fortalecer redes de criação feminina. “Que ele funcione como um chamado: é possível fazer carnaval, samba e cultura popular com consciência, diversidade e protagonismo feminino. Isso não é exceção, é urgência.”
Serviço: Projeto As Brasileiras agita pré-carnaval brasiliense
Data: 24 e 25 de janeiro de 2026
Local: Feira do Guará
Horário: Das 12h às 16h
Data: 31/01 e 1º de fevereiro de 2026
Horário: Das 16h às 20h
Local: Taguaparque (DF 001 – Pistão Norte)
Gratuito
Livre para todos os públicos
Mais informações no Instagram: @as.brasileiras.festival.