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Estreias de Cinema: Muito visual, pouco conteúdo

Arquivo Geral

31/01/2014 7h14

Lúcio Flávio

Especial para o  Jornal de Brasília

Baseado no best-seller homônimo escrito pelo australiano Markus Zusak, A Menina que Roubava Livros, dirigido por Brian Percival, é uma superprodução muito bem cuidada. Agrada no visual e aspectos técnicos como som, direção de arte, figurino e trilha sonora assinada pelo veterano John Williams, mas peca pela falta de alma. 

O narrador da história é uma personagem universal, a velha e soturna Morte, que gravita ao redor dos malgrados ventos que sopram nos anos pré-2ª Guerra Mundial. No momento, Adolf Hitler é seu melhor amigo e ela se simpatiza pela pequena Liesel (Sophie Nélisse), uma menina judia adotada por uma nova família, já que a mãe comunista não tem “condições” de criá-la. 

Novo lar

A adaptação no novo lar é agridoce. Doce por conta do carinho extremo de Hans (Geoffrey Rush), o patriarca da casa. Ele é um sujeito simpático de alma pura que tem o maior jeito com as crianças. Amarga porque Rosa (Emily Watson) é alguém que insiste em ter um coração mais gélido do que o inverno local. 

O consolo da pequena Liesel vem do amigo Rudy (Nico Liersch) e dos livros que rouba da mulher do prefeito. Mais tarde, uma nova válvula de escape se junta aos seus dias, o clandestino judeu (Ben Schnetzer).

Dizer que não é um filme emocionante parece ser cruel, já que a trama cumpre o papel de emocionar o público. Mas isso não pode ser encarado como mérito. Bem maquiado, o drama, cansativo demais com seus 131 minutos de duração, é como aqueles livros com capa bonita, mas recheio entediante.

Clima sobrenatural em cartaz

Pensar em um filme nacional de terror já é inusitado. Imaginar um longa desse gênero com a cantora Sandy no elenco é ainda mais surpreendente. Pois a ousadia de Quando Eu Era Vivo, do diretor Marco Dutra, que estreia hoje, promove essa junção de fatores. Antonio Fagundes e Marat Descartes completam o elenco da história que mexe com o imaginário e o sobrenatural. 

“O terror é uma metáfora do que não tem explicação e nos dá medo. O filme é um grande thriller psicológico, que começa com a falta de comunicação entre pai e filho” descreve Fagundes. 

Adaptado do livro A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, de Lourenço Mutarelli, o filme narra a história de Junior (Descartes), um homem que se divorcia, perde o emprego e tem de voltar a morar com o pai, Sênior (Fagundes), com quem não se dá bem. Bruna (Sandy Leah) é uma estudante de música que aluga um dos quartos da casa. 

Mistério

O apartamento é o mesmo em que o jovem vivia com a família quando era criança. “Junior começa o filme deprimido, mas passa a remexer no passado e fica obcecado pela mãe morta”, diz Descartes. O personagem ganha um ar macabro, e Bruna é tragada por essa loucura. “A música tem um papel importante, porque é o que o aproxima da mãe. E Bruna é levada por isso”, diz Sandy. 

Com cenas que exploram crenças religiosas, a trama arrepia, mas também provoca risos, em uma combinação que surpreende.

Trilha sonora

Um elemento crítico para se estabelecer e reforçar os temas e personagens de A Menina que Roubava Livros é a trilha sonora.  Muito antes do começo das filmagens, os cineastas escolheram um compositor de currículo incomparável na indústria do cinema: John Williams. A trilha é indicada ao Oscar deste ano.  Com uma carreira de seis décadas, John Williams é um dos mais competentes e bem-sucedidos compositores do cinema e fez a música de mais de 100 filmes, como todos os seis filmes da série Star Wars, Superman – O Filme e E.T., O Extraterrestre.

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