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Viva

Estacionados no tempo

Arquivo Geral

11/02/2014 8h06

A paixão por carros pode ser inspiradora, sejam eles antigos ou os mais atuais. Filmes como o drama Gran Torino, o terror Christine – O Carro Assassino, a comédia Se Meu Fusca Falasse e o mais conhecido da categoria, a ação Velozes e Furiosos, são exemplos de histórias que mostram a admiração e o fascínio por automóveis.

E foram esses sentimentos que fizeram Marcelo Jatobá e Tiago Araújo juntarem interesses e darem início ao projeto Parados no Tempo (http://paradosnotempo.com.br), um site onde eles fotografam veículos abandonados nas ruas da cidade. Marcelo é design gráfico e fotógrafo e Tiago, publicitário e amante de carros antigos. 

Amigos desde a infância e já criando apreço por arte e comunicação, a dupla enxergou obras de arte nas ferrugens, poeira e manchas deixadas pelo tempo nos veículos.

“Beleza naquilo”

Filho de um apaixonado por automóveis antigos, Tiago foi quem teve a ideia inicial. “Eu andava nas ruas e comecei observar os carros abandonados, e enxerguei beleza naquilo”, contou. 

Num verdadeiro paradoxo, a dupla procura mostrar harmonia na destruição dos carros. O projeto não tem a intenção de  criticar os proprietários pelo descuido, mas sim apresentar nas fotografias as consequências que a falta de movimento – que é essencial  – traz aos automóveis. Após montar um acervo com mais de 50 ensaios com inúmeras fotos, os dois já tem outros projetos para o futuro. “Nós estamos planejando lançar um livro com as fotografias e, também abrir uma exposição, mas estamos esperando um maior retorno das pessoas através do site e das redes sociais”, contou Marcelo. 

Fanpage

Hoje, as redes sociais são as ferramentas de divulgação. Em fevereiro, o projeto completa seis meses  e a fan page tem mais de 4 mil seguidores. Lá, eles abrem espaço para outras pessoas postarem fotos. Já houve publicação de carros até da Colômbia e dos Estados Unidos.

Ford Galaxie, foi o ensaio que mais marcou a dupla. ” É um carro cheio de fãs. Ele foi feito sob encomenda. Nós o encontramos ao lado de uma oficina em Vicente Pires, e o sentimento foi de tristeza”, revelou Marcelo.

Saiba Mais
 Conforme consta no site, a maioria das peruas Galaxie era produzida por empresas independentes da Ford que utilizavam Galaxies comuns como base para a modificação. Esses carros quase sempre eram destinados a funerárias, a exemplo do modelo clicado pelo Parados no Tempo, modelo 1967. A montadora norte-americana, por sua vez, produziu pouquíssimos modelos wagon, que não foram comercializados e eram usados internamente pela própria Ford.
 
A importância está no objeto
Os veículos mostrados por Marcelo Jatobá e Tiago Araújo  estão espalhados por todo o Distrito Federal, e as imagens foram registradas em diversos lugares. O local e o nome dos proprietários são mantidos em sigilo, 
e as placas dos automóveis são apagadas, para evitar qualquer tipo de problema. “O importante é mostrar 
o objeto”, declarou  Tiago (D). Segundo os dois, conforme consta em seu site: “Continuaremos a observar a morte da beleza e o nascimento do belo. Viva a arte!”
 

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