Em cartaz até domingo na Caixa Cultural (Setor Bancário Sul), a exposição Salvador Dalí, Esculturas, Surrealismo Tradicional mostra o lado escultor do famoso catalão. Além de Dalí, a Espanha é berço de outros artistas mundialmente conhecidos como Velázquez, Almodóvar, Miró e muitos outros. Uma terra que respira cultura em suas mais diversas expressões. A convite da Acción Cultural Española AC/E, o JBr. pôde conhecer os principais pontos culturais de Madri e Barcelona.
“A AC/E foi criada na época da crise econômica para incentivar a cultura espanhola no exterior”, explicou Elvira Marco, diretora-geral da empresa pública que visa fortalecer e divulgar a arte daquele país pelo mundo. Durante a viagem, a reportagem conheceu melhor a vasta gama de opções culturais que o país oferece. Nos anos de 2014 e 2015, o Brasil receberá uma amostra da arte espanhola, com exposições, como a Tapas – Spanish Design for Food, por exemplo, que faz parte do projeto de intercâmbio proposto. A atração deve ocupar a Casa Brasileira, em São Paulo, entre setembro e outubro do próximo ano. Demais atividades ainda estão sendo definidas.
Um dos destaques que vale a viagem é uma visita ao tradicionalíssimo Museo del Prado, em Madri. Tintoretto, Rubens e Goya são alguns dos nomes imortais que fazem parte da coleção do lugar, que é uma verdadeira aula de história da arte. Cerca de 24 mil pessoas passam diariamente pelo local para ver os trabalhos de períodos importantes como o Renascimento e o Barroco. É um baú de tesouro que abriga quase 4,9 mil peças.
Novos artistas
Um ponto interessante é que a casa permite que copistas possam abrir seus cavaletes e pintar algumas obras tendo como base as originais. Existe uma lista de espera para os artistas e é importante que a tela reproduzida seja menor que a verdadeira para evitar falsificações.
Também em Madri está La Casa Encedida, que funciona como um centro de difusão de teatro, cinema e formação, com cursos e laboratórios de rádio e fotografia. Além da cultura, o espaço se preocupa também com o lado social, ambiental e educacional. Com foco na cultura contemporânea, o lugar também dá oportunidade para novos artistas.
Forte ligação cultural entre os dois países
O passeio na capital espanhola não ficaria completo sem uma passada no Matadero. Como o nome denuncia, o lugar era antes um matadouro e transformou-se num imenso espaço que abriga diversos conteúdos artísticos. Uma verdadeira “cidade da cultura”, como bem definiu a diretora Carlota Alvarez Basso. São 55 mil m² que recebem 700 mil visitantes por ano. O lugar une investimento privado com dinheiro do governo, em um modelo de gestão mista que tem funcionado e garante uma rica programação, praticamente toda gratuita.
Além de inúmeras galerias e sala de músicas, há também um prédio para que artistas desenvolvam seus trabalhos. É o caso de Javier Arce, que inclusive já expôs em Brasília, no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República. Em 2010, ele fez parte da exposição Los 24 Escalones y Joan Miró, que trouxe obras de Miró e de jovens artistas que se inspiraram em seus trabalhos para o Matadero.
O artista descarta a existência de uma relação muito estreita entre a arte brasileira e espanhola. “É uma pena, pois o Brasil e seu contexto são muito interessantes. Apesar de o Brasil ter uma língua diferente, há uma forte ligação que devemos manter e cuidar”, comenta.
Pense nisso
O fantasma da crise europeia ainda assombra os espanhóis, mas o que se vê em Madri e Barcelona é o bom uso da verba pública para a manutenção de uma série de espaços maravilhosos para a cultura. E é impressionante como a arte é respeitada, com profissionais valorizados e um público que sabe apreciar teatro e artes plásticas. Em Brasília, entretanto, faltam não apenas redutos culturais, mas também uma população que frequente e prestigie o trabalho dos artistas – principalmente os locais. Será que não passou da hora de dar valor a nossa prata da casa? Talento por aqui é o que não falta.
*O jornalista viajou a convite da Acción Cultural Española