Começa hoje a Mostra Brasília do 46° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, direcionada a filmes produzidos no DF. Ao todo serão exibidos quatro longas e 18 curtas, que concorrem a prêmios no valor total de R$ 200 mil, além de bolsas de estudo. Idealizada pela Câmara Legislativa como forma de incetivo a produção cinematográfica local, a mostra, que está em sua 18ª edição, acontece, de graça, até segunda no Cine Brasília (106/107 Sul), a partir das 14h30.

O curta O Balãozinho Azul, que será exibido no sábado, é dirigido pelo estudante de Cinema Fáuston da Silva. A produção, segundo ele, foi inspirada no conto francês Le Ballon Rouge e tem, como pano de fundo, a questão da exploração do trabalho infantil doméstico. “Mesmo tendo uma temática adulta, o filme traz elementos lúdicos”, explica Fáuston. “Durante as pesquisas, vi vários casos de exploração. Como é difícil ver políticas voltadas para esta questão, acho importante levantar uma reflexão”, ressalta o cineasta.
A produção foi filmada na região da Vila Itapoã. Para o diretor, “é melhor filmar nas periferias do Plano Piloto”. “Eu sou de Ceilândia. Não saberia filmar no Plano, acho que acabaria tornando tudo muito caricato”, completa.
Oportunidade
Fáuston destaca a importância da Mostra Brasília e afirma que os incentivos para esse tipo de produção tem crescido. “Proporciona uma oportunidade de cineastas locais exporem seus trabalhos”.
O longa Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, do cineasta brasiliense Gustavo Galvão, será lançado na programação de domingo da mostra. O filme pode ser considerado um road movie, mas foge do roteiro convencional do gênero. A trama roda o Brasil contando a história de um rapaz de 30 anos — vivido por Vinícius Ferreira — que, perturbado, foge da capital numa jornada intimista para confrontar o jovem sonhador que já foi e o adulto apático que se tornou. “É um filme de estrada, mas que fala diretamente com os brasilienses. Estou muito feliz de poder exibi-lo em Brasília”, afirma Gustavo.
O curta Requília, em cartaz no sábado, mostra inesperada amizade entre um garotinho de sete anos e um senhor barbudo numa parada de ônibus. A diretora Renata Diniz vê na mostra uma oportunidade de acompanhar o trabalho dos colegas. “É uma rede interligada. Nós sempre contamos com a ajuda uns dos outros”, garante a cineasta.