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Entrevista-Daniel Ribeiro: Um final feliz possível

Arquivo Geral

08/04/2014 7h01

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho foi o único longa-metragem nacional premiado na última edição do Festival de Berlim. Além do troféu, o cineasta Daniel Ribeiro recebeu a notícia de que seu trabalho foi escolhido o melhor filme da seção Panorama pela Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica. Inspirado no também consagrado curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, o filme reafirmou o talento do diretor em contar histórias humanas. Seu filme fala de um triângulo amoroso formado por Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego que se apaixona por Gabriel (Fabio Audi), e a sua melhor amiga, Giovanna (Tess Amorim), que gosta dele. Ribeiro, que estreou no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2008, com o sensível Café com Leite, conversou com o JBr. sobre a nova produção – prevista para estrear no País nesta quinta-feira.

O longa é uma continuação ou uma releitura do curta?

É uma releitura. Volta para o começo da história. Leo e Giovana são amigos e Gabriel chega à escola. A equipe – fotografia, direção de arte, produção – é a quase a mesma. A gente teve o cuidado de deixar os atores mais novos do que eles são de verdade. Por isso que falamos para eles deixarem os cabelos grandes três meses antes de começar a filmar. O Fabio (Audi), por exemplo, fica mais novo com o cabelo maior.

Por que mudou o título do filme, que antes se chamava Todas as Coisas Mais Simples?

A história fala da independência do Leo. Até ele se apaixonar pelo Gabriel tem a ver com isso. Então quis escolher um título que mostrasse essa escolha e também lembrasse o curta, para que as pessoas pudessem associar.

O que sentiu ao ser o único diretor brasileiro premiado em Berlim?

Foi muito bom. Não por ser o único, claro. Queria que mais filmes nacionais tivessem ganhado. É um filme pequeno e sem atores famosos, então acredito que o prêmio vai ajudar no lançamento. Eu senti mais isso quando voltei ao Brasil, que tinha alcançado mais pessoas.

O curta é sucesso no YouTube e em festivais. Como você espera a recepção nos cinemas?

O filme tem potencial de diálogo com um público grande. Eu gostaria que fosse exibido em muitas salas no Brasil, mas a distribuição é uma disputa. Tem que ir muito bem para continuar em cartaz. Você tem que lutar para o filme chegar até as salas. Em Berlim, senti que o filme conversava com o público e com as distribuidoras também.

Quais países já compraram os direitos de distribuição?

Me lembro dos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Romênia, Taiwan, Suiça e Holanda.

Você acha que a temática gay está com mais espaço atualmente?

Personagens gays têm destaque na TV há muito tempo. Há uns dez ou 15 anos eles passaram a existir e é bom porque tem uma diversidade grande: a lésbica jovem ou o gay advogado, por exemplo. Na televisão é mais simples. Agora no cinema temos mais exemplos. Acredito que estamos bem servidos de personagens gays.

Sensibilidade é uma marca presente no seu cinema. Você aborda as sutilezas das relações humanas de forma realista. Isso está presente no seu novo filme?

Sim, é muito parecido com o que eu tenho feito. Até esteticamente é parecido, assim como o clima. Eu mantive isso porque é uma coisa minha. Gosto da ideia de pegar temas de pessoas singulares e transformar numa história universal. Transformo em algo que acho importante uma coisa que é possível se identificar.

Muitos filmes gays são dramas ou não têm final feliz. Como você define o seu?

Um romance. Tem drama, mas eu diria que é uma história de amor. A questão do final feliz foi natural e me pareceu que tinha que terminar daquele jeito. Isso é interessante porque no YouTube eu senti que foi bom mostrar um final feliz possível para os gays jovens. Isso é uma referência que eles não têm, saber que é possível ser feliz. No filme, tentei manter esse espírito positivo do curta, mas não vou dizer como é o final…

 

 

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