Já pensou em visitar uma exposição a hora que quiser? A mostra Brasília Utopia reúne fotografias ao ar livre, com imagens que transcendem a capital setorizada, mostrando um lugar reinventado a partir das experiências humanas e dos sonhos vividos na cidade, no Museu Nacional da República (Eixo Monumental).
A capital é retratada de forma romântica sob a ótica dos fotógrafos Arthur Monteiro, Isabela Lyrio, João Paulo Barbosa e Olivier Boëls. Com curadoria de Lena Tosta, doutora em antropologia, o objetivo da iniciativa, que conta com o patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), é mostrar como os brasilienses de hoje vivem sua utopia de cidade, 53 anos depois de JK, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.
“Niemeyer pensou seus monumentos como esculturas ao ar livre, emolduradas pelo que há de mais lindo no Planalto Central, nosso céu. Em um certo sentido, nossa exposição é uma intervenção na arte do arquiteto, apropria-se dela como suporte, como cenário, aproveitando também do céu de Brasília como moldura”, explica Lena.
Responsabilidade socioambiental também entra em pauta, já que a exposição é marcada pelo pouco impacto ambiental que gera. Os suportes das fotografias foram produzidos artesanalmente com bambu e material sustentável. Além disso, montado ao ar livre, o evento dispensa iluminação artificial durante o dia.
Criando raízes
As fotografias são de acervo dos fotógrafos, que cultivam o hábito de andar a pé por Brasília registrando suas peculiaridades. “O brasiliense está começando a criar raízes. Ele aceita as peculiaridades da cidade. Como ficar longe desse céu?”, questiona a fotógrafa Isabela Lyrio.
Trabalho acessível
Sob o lema de que a arte é para todos, a mostra também aposta na acessibilidade. A comunidade surda do Distrito Federal terá visitas guiadas em libras pela especialista em artes visuais para surdos, Maria Conchita Fernandez.

A previsão é de que cerca de 60 mil pessoas visitem a exposição durante as cinco semanas. “Procuro não criar expectativas e viver no presente. No momento, estou bem contente com a oportunidade de chegarmos a tantas pessoas com um trabalho que se propõe a estimular a construção coletiva de uma Brasília plural, humana e sustentável”, finaliza Lena.