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Viva

Engrossando a turma do contra

Arquivo Geral

20/10/2013 10h01

Contrariar faz sucesso. Numa eterna adolescência moral e intelectual, a maioria das pessoas se impressiona com versões totalmente opostas àquelas que conhecem. Hitler e Elvis Presley não morreram, o homem não pisou na Lua, os próprios Estados Unidos destruíram as torres gêmeas.

 

Não é só a inexplicável fascinação pelo mistério ou pelas chamadas teorias da conspiração, mas uma atração pelo “se” que a história e a própria vida sempre deixam em aberto. “Se isso houvesse acontecido em vez daquilo”, “se eu não tivesse agido assim” etc. Filmes como De Volta para o Futuro (o grande pioneiro) e Efeito Borboleta trabalharam bem a questão. Mas, no final, talvez tudo não passe de uma busca por outra realidade. “Não é possível que isso seja verdade”, “não quero acreditar que tudo acabou assim”… Segundo o psicanalista Contardo Calligaris, “o leitor de hoje gosta de enigmas porque eles confirmam que a bagunça de nosso mundo esconde um sentido”. Seja como for, o fenômeno – bem explorado por escritores como Dan Brown (O Código Da Vinci)– ganha mais um representante: Adam Blake (pseudônimo usado pelo aclamado autor Mike Carey), com seu novo livro, Manuscritos do Mar Morto.

 

Estilo imagético

 

A real descoberta arqueológica desses manuscritos demonstrou que a Bíblia (com destaque para o livro de Isaías) se manteve praticamente inalterada. Aplicando a estratégia da inversão, porém, Carey imagina no romance uma misteriosa organização mundial e um códice mortal que, escondido entre os pergaminhos, revelava uma nova versão sobre Judas e sobre a morte de Jesus. Fórmula seguida à risca e anseio pelo sucesso prometido.

 

O próprio estilo de Carey demonstra esse pragmatismo. Escrevendo com olhar cinematográfico, como se fosse roteirista, ele revela um processo criativo centrado em imagens, e não no clássico e profundo devaneio que é próprio da literatura.

 

Mais um exemplo da escrita de entretenimento, cujos mestres foram Conan Doyle, Agatha Christie e Sidney Sheldon. E se é para entreter, Carey (ou Blake) faria melhor se focasse sua participação em capítulos das sagas X-Men e Quarteto Fantástico. Por incrível que pareça, é mais maduro se divertir com quadrinhos de super-heróis do que com a distorção adolescente da realidade.

 
Serviço
 
Manuscritos do Mar Morto
 
Autor:  Adam Blake
Editora:  Novo Conceito
Páginas:  480
Preço médio:  R$ 27,90

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