Raquel Martins Ribeiro
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A reinvenção de objetos para criar arte. Esse foi o mote da mostra Ciclo – Criar com o que Temos, que ocupou o espaço do Centro Cultural Banco do Brasil de fevereiro a abril deste ano, e que deu a largada a uma série de exposições que passaram por Brasília durante o ano de 2015.
Dentre as criações estão uma cidade de biscoitos, armas de fogo produzindo música, um véu de noiva formado por milhares de absorventes íntimos, uma estrutura frágil com 100 mil palitos de dentes e um relevo desértico com milhares de copos descartáveis. Tudo isso foi destaque em Ciclo, que contou com a curadoria de Marcello Dantas.
Artistas
A mostra reuniu 15 artistas de todo o mundo – entre eles Daniel Canogar, Daniel Senise, Douglas Coupland, Joana Vasconcelos, Julia Castagno e Lorenzo Durantini –, que propuseram novos significados artísticos para objetos do cotidiano por meio de esculturas, instalações e performances.
Os próprios visitantes foram convidados a interagir com as obras e participar das intervenções. A exemplo, o enorme autorretrato do canadense Douglas Coupland intitulado Cabeça de Chiclete, sobre o qual os visitantes eram orientados a colar chicletes mascados.
Teve muito mais na cidade, que é considerada um museu a céu aberto. Cores, texturas e formas encantaram os brasilienses, que lotaram diversos espaços da capital em busca de arte. O JBr. relembra agora as principais exposições que passaram pela capital.
Maio:
Arte porteña
As obras de León Ferrari, considerado pelos críticos de arte o artista argentino mais importante de todos os tempos, desembarcaram no CCBB em maio para uma temporada de dois meses. As peças concebidas entre os anos de 1976 e 1984, período em que o artista viveu exilado no Brasil, compuseram a exposição León Ferrari – Resistências e Transgressões.
Junho:
Nome contemporâneo
A arte contemporânea também teve seu lugar em Bracher – Pintura e Permanência, nos meses de junho e julho, também no CCBB. A mostra abrangeu mais de 100 obras do pintor mineiro, fazendo um passeio por suas principais fases. O público que visitou o local pôde, ainda, conferir o processo de pintura do artista ao vivo, palestras ministradas por ele, além de debates. Uma oportunidade única de interação com o criador das obras.
Ângulo inusitado
A arquitetura e o céu da capital federal serviram de inspiração para que o fotógrafo Vicente de Mello montasse a exposição Brasília Utopia Lírica. Foram 31 fotografias tiradas com uma câmera Rolleiflex, a mesma amplamente utilizada nas décadas de 1950 e 1960 durante a construção da capital.
Julho:
Painel múltiplo
Ao longo de 2015, o Ciclo de Arte Brasília Shopping apresentou um painel da vigorosa produção cultural da cidade, homenageando-a em quatro eventos e envolvendo mais de 30 artistas e profissionais. Lêda Watson, mestre na gravura em metal, abriu o projeto (foto). Em seguida, os artistas Pedro Ivo Verçosa e Felipe Cavalcante, e a série de serigrafias da Sem/Registro, deram segmento ao ciclo. A terceira mostra – intitulada Rios + Cruz = Mapa – foi assinada pelos jovens artistas Renato Rios e Rodrigo Cruz.
Agosto:
Comestível
Fotografia, pintura, escultura, instalação, performances e vídeos de artistas de diversas nacionalidades ocuparam as galerias do CCBB na exposição Cru – Comida, Transformação e Arte. As performances criadas em conjunto por artistas e chefs de cozinha contaram com uma área de piquenique para os visitantes e um encontro de foodtrucks. Em paralelo, duas galerias foram ocupadas por obras de arte que investigam a apropriação do alimento por artistas visuais.
Outubro:
Do cotidiano
A exposição Deitei para Repousar e Ele Mexeu Comigo – Pinturas de Fabio Baroli, ocupou o Centro Cultural Banco do Brasil, com 112 pinturas. A mostra propôs um olhar amplo sobre o trabalho do artista, que trouxe à tona aspectos de situações presentes no ambiente rural brasileiro contemporâneo.