Das cinco indicações ao Oscar que o filme Ela, que estreia hoje, concorre, em ao menos duas o longa-metragem do diretor Spike Jonze é o favorito. O primeiro, é o Melhor Roteiro Original, o filme foi premiado na categoria no Globo de Ouro. No Oscar, mesmo concorrendo com o ótimo Blue Jasmine, de Woody Allen, Ela pode faturar o prêmio.

O segundo é a Melhor Trilha Sonora Original. Não é a primeira vez que Jonze (Onde Vivem Os Monstros) trabalha com a banda Arcade Fire. Ele dirigiu clipes do grupo e até se baseou no CD The Suburbs, para compor o curta Scenes From The Suburbs. Em Ela, a carga emocional que o integrante e o colaborador da banda, William Butler e Owen Pallett, respectivamente, criaram para o longa é realmente notável e digno de premiação.
No filme, Theodore (Joaquin Phoenix), vive no futuro, em Los Angeles. É funcionário de uma empresa, responsável por escrever cartas para clientes que desejam expressar seus sentimentos por alguém. Ao tentar lidar com a separação da esposa, Catherine (Rooney Mara), com quem conviveu desde a infância, compra um sistema operacional, vendido como o que há de melhor em inteligência artificial e com a voz de Samantha (Scar lett Johansson). A partir daí, algo inusitado acontece: Theodore se apaixona pela máquina.
Elenco
A atuação de Phoenix é surpreendente. Mesmo quase que o tempo todo sem a presença de outros atores, apenas com a voz de Johansson, ele consegue transmitir perfeitamente o que está sentindo. Theodore é sensível, solitário, e o próprio Phoenix confessou em entrevista à revista Rolling Stone ser um pouco assim na vida real.
A única pessoa que julga o fato de Theodore namorar uma voz é sua esposa. Após uma conversa para assinar a papelada do divórcio, ele fica abalado com o que Catherine diz sobre seu novo relacionamento. Seu “namoro” entra em crise. Aí, entra a mão magistral de Spike Jonze. Os personagens conversam, mas as cenas não têm som, algo de impacto que o diretor criou.
Talvez, o ponto falho no filme seja a falta de representação concreta da máquina. Apenas a voz de Johansson e o ótimo desempenho de Phoenix são insuficientes para fazer o espectador torcer para o casal terminar junto.
Saiba Mais
Em Ela, as cores, sempre amarelo, vermelho ou azul, são representadas nas roupas dos personagens ou nos cenários. No figurino, calças de cintura alta foram criadas para o longa-metragem, a fim de dar sensação futurista ou hipster.
Não é um filme apenas de pessoas se relacionando com softwares, Theodore tem amigos que servem como contraponto à presença desses sistemas inteligentes. É o caso de Amy (Amy Adams), melhor amiga de Theodore, também envolvida com uma voz.
Os dois sempre discutem a relação deles com as máquinas e buscam entender essa nova forma de relacionamento.