Lúcio Flávio
Especial para o Jornal de Brasília
Quando recebeu o e-mail com o convite para participar da 36ª edição do Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília (EMB), o luthier islândes Hans Johansson pensou que fosse um spam. “Não acreditei, achei que fosse uma piada”, conta ele, que aprendeu a arte de fazer violinos, violas, violoncelos, contrabaixos e outros instrumentos com o avô Gudjon Halldorsson, um marceneiro em sua terra natal.
Pela primeira vez no País, Hans tem a missão de ensinar aos alunos do prestigiado encontro musical a arte de construir e reparar instrumentos musicais. “Acho de extrema importância criarem o curso aqui porque há uma tradição musical no Brasil muito forte”, observa.
Nas aulas que ministrará até o dia 25 na Escola Fazendária (Lago Sul), o islandês irá não apenas ensinar a parte teórica da arte de ser luthier, mas também a hora de botar a mão na massa. Uma das coisas que impressionaram Hans Johansson no Brasil foi a “ideologia” de ensino. “Aqui é tudo de graça, no meu país se paga muito caro para estudar”, compara.
Trilha sonora
Há três anos desativado no encontro internacional de verão, o curso de Trilha Sonora para cinema e tevê também é novidade, e está de volta ao evento sob a batuta do compositor Eugênio Matos. Cearense radicado em Brasília desde 1988, ele conta que a procura pela disciplina foi bastante concorrida.
Um dos indicativos talvez seja o crescimento da indústria no Brasil e, por tabela, em Brasília. “Tenho mais de 20 alunos em cada turma. Isso acontece porque se fala e ensina pouco sobre o tema”, constata.
Compositor de trilha sonora de seis longas, dos quais três são do cineasta brasiliense Erik de Castro, Matos é formado em Música pela UnB e tem diploma de Composição para Cinema pela Universidade da Califórnia (Ucla).
Sobre as aulas que dará ao longo do evento, questões como a relação criatividade x subordinação, direitos autorais e burocracia na área serão abordadas. “É pouco tempo para falar sobre um tema tão abrangente. Antes, esse curso era dado aqui em 18 dias”, lamenta. “Mas dá para ter uma base, levantar a lebre, o aluno vai se informar mais”, garante.