O poder das palavras pode mudar vidas. Seguindo esse preceito, David Melo, de 25 anos, nascido em Ceilândia, começou a trabalhar cedo. Durante o dia se aventurava pelo mundo real. Foi panfleteiro, trabalhou em lava-jato, ralou como chapeiro em fastfood, garçom e frentista. Nas horas vagas, corria para outro universo, distante de qualquer problema. Superou obstáculos e, hoje, é um escritor e está prestes a se formar em letras. “Trabalhava para me sustentar, mas sempre com a cabeça longe, sonhando em ser um escritor”, diz.
Com muito esforço, o sonho se realizou, ao preencher cadernos aqui e acolá com suas palavras, desde os 9 anos, por influência da mãe, David lançou a primeira publicação, escrita em 2007, Heróis de Copacabana, que tem a Cidade Maravilhosa como pano de fundo, mesmo sem nunca ter ido ao Rio de Janeiro. “Amo essa cidade, ouvi coisas maravilhosas sobre ela. Pesquisei e estudei muitas coisas. Na época, eu estava descobrindo a política e me interessei”, explica.
Por falta de patrocínio, o livro só pôde ser publicado seis anos depois, em 2011 quando venceu um concurso literário promovido pela prefeitura de Formosa (GO), onde mora. Ele conquistou o direito de ter 500 cópias impressas de seu livro, que está em algumas livrarias. Para quem se interessou, basta acioná-lo no https://www.facebook.com/poeta.david.mello. A cópia custa R$ 15.
A ficção se passa em apenas um dia de 1967, e mostra dois militares que decidem apoiar o povo em sua luta, em meio a paixões e muita aventura. “Na época que falei sobre o lançamento do livro, o pessoal não acreditou muito, mas me deu força. O apoio maior veio da minha família”, recorda.
Próximo passo
Seu segundo livro é uma compilação de contos. O título provisório é O Retorno do Herói. “Ainda estou arrecadando a verba necessária para lançá-lo. É complicado ser escritor, mas faço o que gosto.”
O primeiro livro de sua vida foi marcante, Iracema, de José de Alencar, presente da mãe. “No começo, tinha preguiça de ler, mas me disseram que para ser um escritor, era preciso ler muito. Acabei tomando gosto pela coisa”, diz.
Ponto de Vista
Para Tagore Alegria, editor-chefe da Thesaurus Publishing, o autor deve ser mais que um escritor na hora de emplacar seu primeiro livro por conta própria. Título e capa são essenciais para prender a atenção do público. “Ele precisa estar bem revisado para chegar até o editor. É preciso fazer o trabalho de divulgação, criar uma página no Facebook, Twitter e um blog. Envie para as livrarias, mas também para pessoas que possam criticá-lo”, aconselha.
Agora, é uma celebridade em Formosa
David colhe frutos do esforço. Mesmo contra a vontade do pai, o menino apaixonado pelas letras investiu no sonho, batalhou e se tornou celebridade de Formosa. “Pessoas que eu nem conheço me cumprimentam na rua, dizem que leram meu livro. É gratificante, essa é minha recompensa, saber que meu livro está nas mãos do povo. Hoje meu pai é um dos que mais me apoiam”, destaca.
A biblioteca particular reúne títulos de grandes escritores, como Carlos Drummond de Andrade e o romancista brasileiro Álvares de Azevedo. A literatura moderna também tem seu devido espaço, liderada por Jack Kerouac, com toda sua visceralidade, e logo em seguida o francês Honoré de Balzac. “Tenho um armário abarrotado de livros”, orgulha-se.
Além de escritor, David é editor e revisor de textos numa agência de publicidade. E possui dezenas de sonhos a realizar, como conhecer o Rio de Janeiro.