O Curso Internacional de Verão (Civebra) termina hoje no Teatro da Escola de Música (EMB). Às 17h, a Big Band fará uma apresentação e, às 20h, a ópera Fidelio, a única composta por Beethoven, vai concluir a 36ª edição do evento. Levino de Alcântara, criador da Escola e do Curso Internacional de Verão, figura importante que morreu na última segunda-feira, será lembrado na exibição de um vídeo.
No último domingo, o maestro Airton Pisco, atual diretor da Escola de Música de Brasília, esteve com Levino no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Foi prestar solidariedade ao amigo de 91 anos, bastante debilitado por conta de um câncer diagnosticado desde o ano passado. Muito fraco, Levino conseguiu balbuciar algumas palavras. Manifestava preocupação com as 300 crianças carentes de Conceição do Araguaia (PA), para quem ele ensinava canto coral e instrumentos.
“Ele queria saber se elas tinham conseguido se inscrever para o Curso Internacional de Verão da escola”, revelou emocionado Pisco, que recebeu com choque a notícia da morte do músico e professor no dia seguinte a sua visita. “No último momento de vida, ele ainda estava preocupado em manter acesa sua obra, que era de levar música para as crianças e para a sociedade. Foi um encontro emocionante porque havia se fechado ali um ciclo”, relembra o diretor, que conheceu Levino em 1980.
Escola
Fundador da EMB em 1978 e do Curso Internacional de Verão, o pernambucano de Recife Levino de Alcântara sempre foi um visionário. Sua história com Brasília e com a música começou em 1963, quando criou em Taguatinga o Centro de Ensino Ave Branca, coral seminal do Madrigal de Brasília. Integravam a turma também alunos de música do Colégio Elefante Branco.
“Hoje a EMB talvez seja uma das maiores instituições públicas que lecionam música na América Latina, com cerca de 200 professores e três mil alunos em seu quadro”, observa Marcelo Ramos, há 20 anos professor na escola.
Carlos Kater, professor de música que participa pela primeira vez do Curso de Verão se lembra de quando conheceu maestro Levino. Foi em 1975. Ele tinha 24 anos. “Estava em Brasília para três ou quatro dias, participando do Encontro de Compositores e ele nos convidou a conhecer as instalações da futura Escola de Música. Era um projeto de escola destinado a ensinar música para democratizar o acesso à música. Ele conseguiu”, salienta quase 40 anos depois.
Homenagens
Desde que a notícia da morte de Levino de Alcântara alcançou os meandros da Escola de Música e da Escola Fazendária, algumas homenagens foram realizadas para reverenciar seu fundador.
A mais emblemática de todas é o retorno do nome do teatro da Escola de Música para Levino de Alcântara.
Ponto de Vista
Para o maestro Cláudio Cohen, regente titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, “a importância do Maestro Levino para o desenvolvimento do processo musical de Brasília é inegável”. E completa: “sem o seu empreendedorismo, energia e trabalho incansável, provavelmente a música na cidade não estaria no nível atual e exportando talentos como fez nas últimas décadas.”