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Coreógrafa Deborah Colker traz a Brasília espetáculo baseado em poesia

Por Arquivo Geral 08/08/2017 6h30

LARISSA GALLI
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Após 3 anos de produção, o espetáculo Cão Sem Plumas chega ao palcos brasileiros. Exibido em várias cidades do Brasil, agora é a vez da capital federal receber a apresentação de dança baseada no poema homônimo, de João Cabral de Melo Neto, escrito em 1950, quando o poeta era embaixador em Barcelona. A responsável por traduzir em dança as palavras do poeta brasileiro é a coreógrafa e bailarina Deborah Colker. Mas o espetáculo não se resume a coreografias.

Poesia recitada, cantada e dançada: é assim que Deborah Colker define sua produção híbrida. Aquele rio/ era como um cão sem plumas./ Nada sabia da chuva azul,/ da fonte cor-de-rosa,/ (..),/ da brisa na água.// Sabia dos caranguejos/ de lodo e ferrugem./ Sabia da lama/ (…)/ Sabia seguramente/ da mulher febril que habita as ostras/. Essas são algumas das estrofes do poema que inspirou o espetáculo. “A ideia foi trazer para o corpo e para os movimentos as palavras e o vocabulário de João Cabral de Melo Neto, além de expressar a paisagem do rio Capibaribe e a população ribeirinha, retratados no poema”, explica a coreógrafa.

A dança se mistura com o cinema, com a poesia e a com a música. “É uma experiência em 4D”, brinca Deborah. Cenas de um filme, feito especialmente para o espetáculo, realizado pela bailarina e pelo pernambucano Cláudio Assis – diretor de longas-metragens como Amarelo Manga e Big Jato –, são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos que participam da montagem.

Os bailarinos são os mesmos que participaram das imagens do filme. “Ora parece que os bailarinos saíram da tela e chegaram ao palco, ora parece que eles saíram do palco e foram para a tela”, conta a coreógrafa, também responsável pela criação e direção do espetáculo. No palco, os bailarinos se cobrem de lama em alusão às paisagens que o poema descreve, e seus passos evocam os caranguejos, animais naturais do mangue pernambucano.

Cão Sem Plumas acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta quase todo o estado de Pernambuco, relatando a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites e a vida no mangue. Segundo Deborah, a publicação de João Cabral é um alerta e um manifesto sobre a realidade do povo brasileiro, e isso está presente no espetáculo.“É uma apresentação que fala do inconcebível, do inadmissível, dos homens que, cobertos de lama, são roubados e mastigados por uma terra de lama”, declara.

Para falar sobre Pernambuco, Deborah Colker, que é daquele estado, se uniu a conterrâneos e adaptou o poema. Os também pernambucanos Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi, e Lirinha assinam a trilha sonora original do espetáculo ao lado do carioca Berna Ceppas. O fotógrafo recifense Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi, registrou a jornada de 24 dias do sertão e até a capital que serviu de cenário para a criação do filme projetado no espetáculo.

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Cão Sem Plumas
Sábado (12), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental). Duração: 1h10 minutos. Ingressos entre R$ 70 e R$ 170 (meia). Informações: 98409-0198/ 98282-7765. Classificação Livre.








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