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Clarice Gonçalves lança "O som do silêncio"

Arquivo Geral

06/05/2014 15h55

Falar ao mundo sobre o universo feminino, uma vida diária feita de momentos de lazer, solidão, prazer ou angústia por meio da representação pictórica de cenas cotidianas é o trabalho da artista plástica Clarice Gonçalves ao longo dos últimos 10 anos. Agora, essa produção ganha uma retrospectiva em forma de livro. “Clarice Gonçalves – O som do silêncio” chega ao mercado pela Editora Briquet de Lemos, com textos de Graça Ramos, Mário Gioia e Juliana Monachesi. As 192 páginas contendo textos e 116 imagens das obras de Clarice mostram a trajetória de 10 anos da artista plástica brasiliense, radicada em Taguatinga, que trabalha a imagem feminina de forma sutil e, ao mesmo tempo, reveladora.

A necessidade de publicar um livro contendo um recorte de sua produção mostra um novo patamar na trajetória da artista. “Ao longo dos anos, realizei um trabalho solitário de pesquisa e de produção. Alguns trabalhos foram parar nas coleções particulares e não seriam mais vistos pelas pessoas, que não teriam a ideia da minha trajetória”, conta a artista. “O livro conseguiu resgatar esse conteúdo e trouxe uma nova dimensão para o meu trabalho e até para mim mesma”, completa Clarice.

A historiadora Graça Ramos, que fez a curadoria das obras que estão presentes no livro, afirma que ficou surpresa ao ver o vasto repertório que a artista criou ao longo dos anos. Já era de seu conhecimento as artes com as representações femininas, mas a curadora se surpreendeu com o trabalho erótico que Clarice desenvolveu. “Essas imagens nunca haviam sido apresentadas ao público. Ela as mantinha guardadas em seu atelier. O público agora poderá ver que o processo de maturação da artista passa por várias etapas que vão além de uma visão única de mulher”,

O livro conta com textos de Mario Gioia, curador de projetos como o  Zip’Up, na Zipper Galeria (São Paulo), destinado à exibição de novos artistas e projetos inéditos, e crítico de arte vinculado ao CCSP (Centro Cultural São Paulo) e ao Paço das Artes. Mario afirma que Clarice, “desenvolvendo paulatinamente sua poética em um centro não tão visível da área dentro do cenário nacional, terminou por engendrar uma obra que cada vez se torna mais interessante”. E completa: “Uma certa estética do fragmento, que se aproxima do still e do snapshot, é construída pela artista… Trabalhos como Pelo abalo com que elas se lhe manifestam (2009) e Frequência (2011) articulam a linguagem que reforça a imagem feminina, algo idílica, do cinema, esse dado feminino ainda vai se envolvendo com a própria técnica de apresentação das pinturas”.

O livro traz ainda um ensaio de Juliana Monachesi, crítica, curadora e jornalista especializada em artes visuais, que se debruça sobre o feminino na obra de Clarice Gonçalves tendo como ponto de partida as diferentes visões da artista sobre a mulher. “Quando vi pela primeira vez o trabalho de Clarice, uma pintura que retratava uma mulher, ela (a tela) estava exposta ao lado de um outro retrato de mulher. As duas pinturas eram radicalmente diversas” escreve Juliana em seu ensaio. Mais adiante, revela: “Achava que ela estava duelando com toda uma tradição de representação da figura feminina ao longo da história, e que estava, à sua maneira, fundando uma espécie de novo cânone de representação, um que não é feminista nem particularmente feminino, mas que, distanciado e informado em proporções iguais sobre a condição feminina e sobre a história da representação da mulher, reinventa e reescreve em outros termos a própria tradição que se incumbiu de rever”.

Junto com o livro, a artista realiza a mostra “Clarice Gonçalves – Sutilezas e Ilusões”, que marcam os 10 anos de trabalho. Tanto o livro como a exposição têm o patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal (FAC). A mostra fica em cartaz até o dia 6 de junho, com visitação de terça a sábado, das 14h às 18h30, no Elefante Centro Cultural, localizado na W3 Norte, quadra 706, entre os blocos B/C, Loja 45. A mostra tem classificação indicativa para maiores de 18 anos.

 “Clarice Gonçalves – O som do silêncio”

192 Páginas

116 imagens

 

Serviço

Data: Terça a sábado. Até 6 de junho

Horário:  14h às 18h30

Local: Elefante Centro Cultural – 706 Norte, bloco C, loja 45. 

Entrada: Gratuita 

Classificação indicativa: 18 anos. 

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