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Cinema

Tarantino afirma preferir livros a filmes e critica produção atual de Hollywood

Em entrevista à Sight & Sound, o diretor compara o cinema comercial contemporâneo ao pior período da história hollywoodiana

Tamires Rodrigues

06/06/2026 8h18

quentin tarantino

Foto: Kevin Winter/AFP

Quentin Tarantino concedeu entrevista à revista Sight & Sound, repercutida pela Variety, na qual afirmou que Hollywood atravessa um dos períodos mais decepcionantes de sua história. Segundo o cineasta, os filmes produzidos atualmente raramente conseguem despertar seu entusiasmo.

“Defeitos, situações implausíveis, bajulação ao público, atores mal escalados ou simplesmente coisas estúpidas costumam afundar qualquer novo filme que sai da fábrica de salsichas sem sabor que costumava se chamar Hollywood”, declarou.

Para o diretor, o problema vai além de títulos específicos. O próprio conceito do que se tornou um filme comercial mudou drasticamente nos últimos anos. “Hoje em dia, a ideia do que é um filme me inspira mais desprezo do que generosidade”, afirmou.

Tarantino comparou a atual década com os anos 1980, período que ele costumava apontar como sua fase menos favorita da produção hollywoodiana. “Em comparação, os filmes dos últimos seis anos fazem os anos 1980 parecerem os anos 1930”, disse, em referência à chamada Era de Ouro de Hollywood.

O cineasta reconheceu que algumas produções recentes chamaram sua atenção, entre elas Amor, Sublime Amor, de Steven Spielberg, e os dois capítulos de Horizon, faroeste dirigido e estrelado por Kevin Costner. Ainda assim, afirmou que nenhuma conseguiu reproduzir a experiência que buscava. “Não vi nada que realmente me agarrasse e me levasse para aquela terra mágica do entretenimento que eu visitava regularmente e que era a razão de eu amar o cinema acima de todas as outras formas de arte. Hoje em dia eu prefiro ler um livro”, disse.

A exceção foi Dinheiro Suspeito, thriller policial da Netflix dirigido por Joe Carnahan e estrelado por Matt Damon e Ben Affleck. Tarantino elogiou o roteiro escrito por Carnahan e Michael McGrale. “O pacote inteiro funcionou para mim. Mas o verdadeiro destaque é o roteiro sensacional”, concluiu.

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