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Cinema

Selecionado para o Cine/PE, “Mapas” mergulha no horror para revisitar memórias submersas de Brasília

Longa de estreia de Rafael Lobo integra a Mostra Competitiva de Longas-Metragens do festival, que acontece no Recife entre 1º e 7 de junho

Aline Teixeira

15/05/2026 18h27

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Foto: Divulgação

Sob as águas do Lago Paranoá, um passado oculto ainda ecoa na história de Brasília. É a partir dessa premissa que se desenvolve Mapas, primeiro longa-metragem do diretor Rafael Lobo, que será exibido na próxima edição do Cine/PE. O filme, produzido pela Machado Filmes em coprodução com a Tao Luz e Movimento e a Levante Filmes, aposta em elementos do horror para construir uma narrativa que articula memória histórica e fantasia.

A trama acompanha a professora Júlia e o mestrando Sérgio, que investigam o desaparecimento de uma cicloativista. A busca os leva até vestígios de um antigo povoado que abrigava trabalhadores da construção da capital federal, revelando camadas esquecidas da cidade. Ao longo da investigação, o passado emerge não apenas como registro histórico, mas como presença inquietante.

Segundo Rafael Lobo, o filme dialoga diretamente com seu interesse pelo gênero: “o horror sempre me fascinou, desde a infância, pela potência e pelo caráter transgressor das imagens”. No longa, esse fascínio se transforma em ferramenta narrativa para explorar tanto conflitos íntimos quanto marcas coletivas. As experiências dos personagens são atravessadas por memórias e traumas que se materializam em figuras fantasmagóricas, refletindo, em última instância, as próprias cicatrizes da história de Brasília.

Mapas também estabelece uma relação simbólica com a Vila Amaury, comunidade que existiu durante a construção da capital e hoje está submersa pelo Lago Paranoá. No filme, essas ruínas ganham dimensão metafórica, funcionando como representação de histórias silenciadas que insistem em vir à tona.

Entre o real e o fantástico, a narrativa propõe uma travessia por memórias soterradas, questionando versões oficiais da história e dando visibilidade a personagens e acontecimentos esquecidos. A investigação conduzida pelos protagonistas é permeada por elementos místicos, ampliando a sensação de estranhamento e tensionando os limites entre realidade e imaginação.

Formado em Audiovisual e mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília, Rafael Lobo desenvolve, em sua trajetória, uma pesquisa que articula cinema, filosofia e horror. Antes de Mapas, dirigiu curtas como Confinado (2010) e Palhaços Tristes (2013), além de projetos que exploram questões políticas e existenciais ambientadas na capital.

Com 115 minutos de duração, o longa marca a estreia de Lobo no formato e consolida sua proposta estética: utilizar o horror não apenas como gênero, mas como linguagem crítica capaz de revisitar a memória e tensionar narrativas históricas.

FICHA TÉCNICA
Direção | Rafael Lobo
Roteiro | Lucas Gehre, Rafael Lobo
Produção | Alisson Machado
Direção de Fotografia | Emília Silberstein
Direção de Arte | Lucas Gehre, Nadine Diel
Figurino | Claudia Wiltgen
Caracterização | Eduardo Barón
Trilha Sonora | Ricardo Ponte, Olivia Hernández
Montagem | Rafael Lobo, Tainá Menezes
Design de Som | Olivia Hernández
Mixagem | Micael Guimarães
Produção | Machado Filmes
Coprodução | Tao Luz e Movimento, Levante Filmes
Duração | 115 minutos
País e ano de produção | Brasil, 2026

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