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Cinema

Premiado na Berlinale, longa de estreia de Janaína Marques entra na competição do Olhar de Cinema

Premiado no Festival de Berlim, filme aposta na fabulação e na memória para narrar uma travessia marcada por afeto, ausência e cura

Aline Teixeira

09/06/2026 18h10

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Foto: Divulgação

Após conquistar reconhecimento internacional, o filme FIZ UM FOGUETE IMAGINANDO QUE VOCÊ VINHA chega ao Brasil como um dos destaques da Competição Brasileira de longas-metragens do 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, que acontece entre os dias 4 e 13 de junho.

Dirigido por Janaína Marques, o longa fez sua estreia mundial na 76ª edição do Festival de Berlim, onde recebeu o Tagesspiegel Readers Jury Award na seção Forum. Agora, a produção integra a principal mostra competitiva do evento curitibano, consolidando sua trajetória em festivais.

Protagonizado por Verônica Cavalcanti e Luciana Souza, o filme acompanha Rosa, uma mulher que, durante um exame de ressonância magnética, é orientada a acessar uma lembrança feliz. Diante da impossibilidade de recuperar essa memória, ela mergulha no próprio subconsciente e passa a reconstruir uma experiência que nunca viveu: uma travessia ao lado da mãe, Dalva, figura marcada pela ausência e por um passado atravessado pela violência.

Na narrativa, a protagonista revisita traumas e lacunas afetivas por meio da imaginação, em um processo que mistura memória, fabulação e tentativa de cura. A canção “Sangue Latino”, eternizada na voz de Ney Matogrosso, surge como elemento simbólico que atravessa essa jornada.

Segundo a diretora, o filme nasce da ideia de que a fabulação pode ser uma estratégia de sobrevivência. “Rosa cria um território de liberdade para olhar para a própria história sem ser esmagada por ela. O filme fala sobre transformar trauma em travessia e imaginação em possibilidade de cura”, afirma Janaína Marques.

A recepção internacional tem destacado tanto a ousadia formal quanto a carga emocional da obra. Críticos apontam o longa como um processo sensível de reconstrução subjetiva, com destaque para a atuação de Luciana Souza. A produção também tem sido descrita como um raro exemplo de road movie com tom mais luminoso dentro do cinema brasileiro contemporâneo.

Para a diretora, a exibição no Brasil marca um momento especial. “Nada se compara à emoção de estrear o filme no país. Estou curiosa para ver como o público brasileiro vai receber essa história construída pelo afeto e pela sororidade”, comenta.

Produzido pela Moçambique Audiovisual e pela Delírio Filmes, o longa conta com patrocínio do BNDES e do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, além de apoio de instituições como o Instituto Dragão do Mar e o Projeto Paradiso. A distribuição nacional é da Moçambique Audiovisual.

No Olhar de Cinema, o filme terá duas sessões: no dia 12 de junho, às 21h, no MON – Poty Lazzarotto, e no dia 13, às 14h50, no Cine Passeio Ritz.

Sinopse
No zumbido silencioso de uma ressonância magnética, Rosa (50) é orientada a evocar uma lembrança feliz. Em uma viagem pelo seu subconsciente, ela revisita o passado e reconstrói um episódio que nunca viveu: uma travessia com sua mãe, Dalva, mulher livre e irreverente que chegou a ser presa por matar um homem prestes a cometer um feminicídio. Crescida na ausência da mãe, Rosa carrega culpa e medo dessa história. Agora, suspensa entre a vida e uma memória inventada, ela imagina um reencontro que se transforma em tentativa de cura e reconciliação.

Ficha técnica
Direção: Janaína Marques
Produção: Maurício Macêdo
Produção Executiva: Isabela Veras, Maurício Macêdo
Ideia Original: Taís Monteiro e Pedro Cândido
Roteiro: Xenia Rivery, Pablo Arellano, Taís Monteiro e Pedro Cândido
Direção de Fotografia: Ivo Lopes Araújo
Direção de Arte: Patrícia Passos
Figurino: Isac Bento
Colorista: Pedro Dulci
1ª Assistência de Direção: Filipe Oliveira
Casting: Nataly Rocha
Montagem: Fred Benevides, Luísa Marques
Som: Homer Mora, Moabe Filho, Pedrinho Moreira
Trilha Sonora: Clau Aniz
Produtores: Taís Monteiro e Pedro Cândido
Produtores Associados: Xenia Rivery, Murilo Hauser e Umbral Sonora

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